Procura-se entender como lidar com o processo de desenvolvimento tecnológico no país, para competitividade do setor empresarial. Com base em abordagem fortemente marcada pela experiência, fatos e constatações amplos, procura-se entender e tratar este processo no contexto da situação do país, identificando e apontando soluções organizacionais e estratégias. A abordagem é feita com a premissa de que, como na economia de um modo geral, no subsistema desenvolvimento tecnológico há que haver necessária multiplicidade de agentes, para emergir situação de competitividade no mundo empresarial.
A necessidade de efetivação de condições satisfatórias e melhoradas de sobrevivência das pessoas de um país determina oportunidades para negócios do mundo empresarial, cuja sobrevivência competitiva demanda desenvolvimento tecnológico. Os ambientes físico, biológico, cultural e político de um país criam necessidades e propiciam oportunidades que condicionam caráter fortemente regional para o processo de desenvolvimento tecnológico.
O atendimento competitivo de mercados demanda negócios eficazes e inovadores, que se sustentam em resultados de desenvolvimentos e inovações tecnológicos, que por sua vez se sustentam em desenvolvimentos científico-tecnológicos, via-de-regra. Há, pois, uma meta-ordem no processo de desenvolvimento tecnológico, que vincula a existência de subprocessos básicos. A diferença de eficácia de resultados destes subprocessos implica na necessidade de soluções organizacionais distintas para a efetivação de cada um deles, assim como do encadeamento entre eles. Para que se efetivem condições de competitividade tecnológica no país, o relativo sucesso alcançado nas academias para o subprocesso de pesquisa científica e tecnológica, tem que desencadear sucesso que se repete nas outras partes do processo de desenvolvimento tecnológico, para efetivar soluções para o domínio tecnológico competitivo nas empresas. Embora a questão do domínio tecnológico nas empresas se resolva com estratégia e soluções próprias, este domínio tecnológico pode e deve se sustentar no respectivo setor empresarial para esforços básicos e pré-competitivos, através de empreendimento cooperativo. Pode e deve, também, se sustentar na existência de negócios, no “meio de campo”, de intermediação entre as academias e o mundo empresarial. Enfim, a solução é ter soluções para todas as partes do processo e ter soluções que mantenham abertas condições para todas as possibilidades de intra e inter-relacionamentos (Fig. 1).

Figura 1: Processo de Desenvolvimento Tecnológico: Meta Ordem
Modelando o Processo
O esforço de entender o processo de desenvolvimento tecnológico, para modelagem que permita com ele lidar, leva à constatação de existência de uma ordem, em que encadeamento de resultados necessários vincula subprocessos, que por sua vez implicam na necessidade de soluções organizacionais distintas para sua efetivação e articulação. Os fatos e constatações a seguir sustentam a existência desta ordem e das respectivas soluções organizacionais.
(i) O projeto e condições de operação de um processo organizacional devem ser estabelecidos de trás para frente, isto é, a partir dos resultados previstos para o mesmo. Assim, a partir da eficácia nos resultados e das características da clientela a ser atendida é que se determinarão as características das atividades e recursos humanos, comerciais, técnicos e financeiros.
(ii) As pessoas dirigentes sempre se direcionam a partir de modelos mentais resultantes de sua bagagem de conhecimentos, experiências e percepções, assim como de seus valores culturais.
(iii) As necessidades de sobrevivência, segurança e bem-estar das pessoas, vinculadas às condições dos ambientes, físico, biológico, cultural e político de uma dada região, criam a demanda de concepção de produtos e de serviços que atendam essas necessidades, criando oportunidades de mercado para ação empresarial; na analogia com um jogo esportivo, a organização empresarial é a parte do “ataque”, que realiza a eficácia do resultado final e que, no “jogo” do desenvolvimento tecnológico, realiza a eficácia de produtos e serviços.
(iv) Por sua vez, a eficácia do “ataque” com a realização de produtos e serviços, que atendam de forma competitiva as necessidades de pessoas do mercado, cria a demanda de estudos, desenvolvimento e inovação tecnológicos, isto é, do “meio de campo” no “jogo” do desenvolvimento tecnológico;
(v) Finalmente, para a eficácia de produtos e serviços competitivos, tudo começa por desvendar e lidar com a Natureza, que cria a demanda por conhecimento científico tecnológico, isto é, a existência e necessidade da “defesa” no “jogo” do desenvolvimento tecnológico.
Assim, no “jogo” do desenvolvimento tecnológico, as diferenças nos resultados previstos para cada um dos seus três subprocessos acarretam características diferentes nos mesmos, quanto à constituição e forma de lidar com recursos, atividades humanas, técnicas, comerciais e financeiras. Por isto mesmo, cada um destes subprocessos exige tratamento organizacional distinto:
(i) O subprocesso empresarial de produção e comercialização demanda unidades organizacionais que atuam a partir de certeza de existência de mercados, de produção com produtividade realizável em decorrência das condições existentes de acesso e domínio tecnológico, assim como de condições de investimento e imobilização de capital que possibilitem o estabelecimento de preços nos produtos e serviços que levem a um retorno rápido, com lucratividade compensatória. A atuação de dirigentes deve ser marcadamente voltada para decisões e ações que minimizem os riscos de eficácia financeira, isto é, de comprometer os ganhos do capital investido; assim, no gerenciamento da qualidade e produtividade empresarial para a competitividade, há forte zelo com a eficiência. Esta ação cristaliza modelos mentais que privilegiam resultados de curto prazo a partir de condições já existentes; desenvolvimento tecnológico para empresários é “engenheirar” novos processos e produtos, isto é, melhorar processos de produção com modernos equipamentos e incluir, no projeto e desenvolvimento de novos produtos, tecnologias já validadas.
(ii) O subprocesso de desenvolvimento e inovação tecnológicos demanda unidades organizacionais que atuam a partir de conhecimentos, métodos e experimentos científicos e tecnológicos, para o desenvolvimento de resultados tecnológicos que suportem soluções de produtos, processos e serviços inovadores que sejam, por sua vez, soluções melhoradas ou originais para a competitividade no mercado criado pelas necessidades de sobrevivência, segurança e bem-estar das pessoas. Embora se possa buscar resultados tecnológicos para produtos, processos ou serviços de uma dada empresa, resultados de desenvolvimento tecnológico em geral extrapolam em aplicabilidade empresas e até mesmos setores empresariais. A natureza da atividade demanda elasticidade de prazos e custos, com riscos quanto à viabilidade econômico-comercial dos resultados desenvolvidos. Os investimentos são com imobilização de capital e retorno no médio prazo. A atuação de dirigentes e equipes deve ser marcada e voltada para soluções melhoradas ou inovadoras; o necessário zelo com custos e prazos envolvidos não pode comprometer a eficácia dos resultados buscados. Esta ação cristaliza modelos mentais que privilegiam a eficácia de novos resultados, não eficiência, e que sustentam a atitude de necessidade de mudança, isto é, que “é preciso mexer em time que está ganhando, antes que ele comece a perder”!
(iii) O subprocesso de pesquisa científica e tecnológica demanda unidades organizacionais que atuam a partir do pressuposto que sua missão é produzir conhecimentos, métodos e experimentos que, nas suas áreas de especialização, contribuam para desvendar e lidar com a Natureza. A atuação de dirigentes e equipes deve proteger a liberdade de escolha e de ação nas atividades de pesquisa, portanto, é pela exceção que há estabelecimento de programas e projetos engajados em processos de desenvolvimento tecnológico de produtos e processos, havendo dificuldade em vincular competitividade futura com resultado de pesquisa tecnológica, ou seja, comprovação do retorno do investimento. Há uma grande dificuldade de compromissar planejamentos e direcionar buscas de aplicações, isto é, compromissar objetivos, prazos e custos, devendo haver tolerância com o fracasso eventual ou sucesso parcial. O comprometimento e envolvimento com produção de conhecimentos para desvendar e lidar com a Natureza acaba condicionando nos dirigentes modelos mentais que privilegiam o conhecimento pelo conhecimento.
Pelas características dos subprocessos básicos no jogo do desenvolvimento tecnológico e correspondentes características de soluções organizacionais, constata-se a oportunidade e necessidade de se ter solução organizacional para negócio de intermediação entre as academias e o mundo empresarial, para aproveitamento estendido de oportunidades, incluindo gestação de novos negócios, de modo a se ter a efetivação plena do subprocesso de desenvolvimento e inovação tecnológicos: isto é, solução organizacional de negócio para efetivação completa do “meio de campo”.
São, pois, necessários tipos distintos de unidades organizacionais para se ter soluções para todas as partes do processo e para ter soluções para inter-relacioná-las.
Contexto Atual no País e Dificuldades
A análise do contexto em que se fazem tentativas de desenvolvimento tecnológico, em países em desenvolvimento, como o Brasil, leva à identificação de dificuldades significativas:
(i) O empresariado em países neste estágio de desenvolvimento, com raras exceções, se acostumou a atuar desfrutando de protecionismos, decorrentes de políticas governamentais (substituição de importações, reservas de mercado, subsídios), que lhe permitiam ganhar competitividade em mercados repartidos e cativos, comprando, em países desenvolvidos, tecnologias já testadas, usadas e, muitas vezes, já obsoletas. Esta situação condicionou cultura e modelos mentais que dificultam ao empresariado saber por que e como lidar com processos de desenvolvimento e inovação tecnológicos. Há uma generalizada situação em que se confunde engenharia de produtos e de processos envolvendo tecnologias já testadas, assim como compra de equipamentos, com desenvolvimento e inovação tecnológicos. Face ao processo de globalização e conseqüente abertura de mercados, não há mais oferta de tecnologias competitivas prontas. Quem as tem as utiliza diretamente face à possibilidade de acesso e conquista de mercados em nível mundial! Assim, em conseqüência destas circunstâncias, duas dificuldades básicas são identificadas. Primeiro, perda, no curtíssimo prazo, de competitividade das empresas que não detêm domínio tecnológico de seus processos de trabalho; segundo, falta de esquemas empresariais que efetivem processos de inovação tecnológica.
(ii) Existência de poucas organizações atuando no subprocesso de desenvolvimento e inovação tecnológicos, com dois agravantes. Primeiro, a maioria delas é governamental ou estatal com quase nenhuma flexibilidade organizacional para as necessárias eficiência e eficácia na atuação; segundo, a clientela, destas poucas organizações existentes, é predominantemente governamental e estatal, em programas e projetos especializados considerados estratégicos (agricultura, saúde, aeroespacial, etc) com demandas de estudos e experimentos que apenas pela exceção chegam a propiciar condições para a fase de produção e comercialização de bens e serviços para o mercado. Neste contexto, as seguintes dificuldades têm que ser superadas para a efetivação desta etapa do processo tecnológico:
– Nas organizações de pesquisa tecnológica, governamentais e estatais, a falta de autonomia e flexibilidade organizacional para interagir com setor produtivo e contribuir na geração e suporte de negócios.
– Nas pequenas empresas, limitações financeiras e dificuldades de efetivar condições de gestão para acessar e incorporar benefícios deste subprocesso de modo a garantir atualização e renovação tecnológicas.
– Nas médias e grandes empresas, a ainda não incorporação, em seus processos organizacionais, de unidades dedicadas a este subprocesso, tratando-o como fazem com o processo de produção.
(iii) As organizações de pesquisa científico-tecnológica, principalmente Universidades, estão fortemente engajadas com a comunidade internacional de países desenvolvidos, com acentuada tendência de sobrevalorizar a pesquisa básica, realizando pesquisa aplicada ainda pouco comprometida com desvendamento e aproveitamento de peculiaridades do ambiente físico e biológico da região em que o país se encontra e resistindo à pesquisa engajada na busca de resultados tecnológicos práticos, sendo comum se fazer a pesquisa pela pesquisa. Nas agências de apoio à pesquisa e desenvolvimento científico-tecnológico há excesso de influência dos pesquisadores dessas organizações de pesquisa científico-tecnológica. Estes pesquisadores estabelecem critérios e procedimentos para carreiras e para julgamentos de propostas, criando efeito de realimentação, sobrevalorizando a pesquisa básica e publicações em periódicos estrangeiros, em detrimento de um balanceamento que permita dar reconhecimento e valorização a atividades engajadas em projetos ou programas de desenvolvimento tecnológico. Nos modelos mentais das elites dirigentes dessas organizações de pesquisa científico-tecnológica, parece não se saber e perceber que: produtos e serviços inovadores para prosperidade socioeconômica resultam de processo completo, conseqüência de domínio integrado através dos agentes de cada uma das três fases do processo de desenvolvimento tecnológico. Pode-se dizer que, na situação atual, este forte engajamento à comunidade internacional de países desenvolvidos, com prioridade para publicação em periódicos estrangeiros, antes de se explorar as possibilidades de propriedade intelectual e de uso em nosso país, está certamente contribuindo para o processo de desenvolvimento tecnológico desses países desenvolvidos, em detrimento do desenvolvimento de nosso país; é a situação de cretinice inconsciente de subnutridos tirando da própria boca para alimentar supernutridos. Ao mesmo tempo, há o fenômeno novo e complicador da atuação das Agências de Inovação, que radicalizando o papel de Núcleos de Inovação Tecnológica que a Lei de Inovação lhes faculta, têm agido com agressividade que impede a correta apropriação da propriedade intelectual pelas empresas e a exploração do seu valor econômico.
Domínio Tecnológico nas Empresas
Todo negócio necessita, para se realizar, de um Macroprocesso de Atividades Centrais, isto é, o macroprocesso que conecta em malha fechada: (1) planejamento de atividade-fim, (2) projeto e produção de produtos (ou serviços) com (3) as atividades de relações com clientes e fornecedores. Na realização e gestão deste processo de atividades centrais é que se pode realizar o domínio tecnológico nas empresas; duas categorias de tecnologias contribuem diretamente.
(i) As Tecnologias de Domínio Próprio,isto é, tecnologias que, para garantir o domínio tecnológico competitivo do negócio, devem ser de domínio próprio, quer por desenvolvimento com proteção de informação e propriedade industrial, quer por apropriação.
(ii) As Tecnologias Incorporadas, isto é, tipicamente fornecidas por e de domínio tecnológico de terceiros, em que o que importa é manter domínio de uso ou incorporação, através de condições de identificar, selecionar, acessar, adaptar e incorporar para a realização dos produtos ou serviços do negócio.
A estratégia competitiva é construída pela colocação adequada de três elementos norteadores de decisão e ação para essas tecnologias: meta competitiva, condição de ação e condição de capacitação.
Tecnologias de Domínio Próprio:
(i)meta competitiva:Posição competitiva forte, isto é, capacidade de inovar e estabelecer novas direções;
(ii)condição de ação: A partir do estado da arte científico tecnológico, pela exploração e incorporação de conhecimentos, métodos, técnicas e ferramentas para desenvolver soluções próprias ou desvendar soluções de concorrentes, de modo a manter domínio tecnológico com propriedade intelectual garantida e protegida;
(iii)condição de capacitação: Através de equipes de desenvolvimento tecnológico, equipamentos e instalações que garantam condição de capacitação para desenvolver e usar as tecnologias na produção.
Tecnologias Incorporadas:
(i)meta competitiva:Capacidade de sustentar competitividade tecnológica, com fornecimento garantido, em condições favoráveis, através de fornecedores ou parceiros externos que tenham posição competitiva forte, isto é, que tenham capacidade de inovar e estabelecer novas direções;
(ii)condição de ação: Incorporação das tecnologias com domínio de uso sob medida, isto é, mantendo o domínio tecnológico na condição de usuários conscientes, com competência para identificar, selecionar e adaptar soluções na produção;
(iii)condição de capacitação: Através de equipes com capacitação para lidar com estas tecnologias no projeto, desenvolvimento, certificação, fabricação. Se necessário, através de parcerias de negócio para garantir acesso com condições favoráveis.
Para o domínio competitivo de um negócio, a estratégia deve ser completa quanto à abrangência dos processos organizacionais básicos e suas respectivas categorias tecnológicas na lógica organizacional da empresa, para as quais também se aplicam os três elementos norteadores de decisão e ação.
Tecnologias de Apoio:
(i)meta competitiva:Instalações e serviços de apoio com qualidade certificada;
(ii)condição de ação: Aquisição, adaptação e implantação de soluções.
(iii)condição de capacitação:Através de equipes e instalações próprias apenas quando requisitos de segurança de informação ou relação custo benéfico justificarem; ou através de terceirização para fornecedores com qualidade certificada.
Tecnologias de Gestão:
(i)meta competitiva:No nível estratégico,gestão sistêmica, eficaz e inovadora do negócio, e, no nível dos processos, gestão sinérgica, eficaz e inovadora, para competitividade com lucratividade;
(ii)condição de ação: Recorrendo a publicações, programas de educação e treinamento, e a consultoria especializada para seleção e adequação de soluções, face à natureza do negócio e valores nele praticados;
(iii)condição de capacitação: Através de desenvolvimento, capacitação e atualização de equipe de gestores..
Soluções Organizacionais: Unidade de Desenvolvimento e Inovação Tecnológicos
No caso de médias e grandes empresas, a exploração de oportunidades de desenvolvimento tecnológico e inovação pode e deve ser feita através de unidade organizacional dedicada.
Esta unidade deve existir com a missão de fazer acontecer, de forma inovadora e eficaz, o domínio tecnológico do negócio com a visão de que:
(i) O seu negócio é o de prestador de serviços, como agente corporativo de gestão de programas e projetos de P&D, e de planejador, organizador e catalisador de atividades de localização, acesso, absorção e uso de informações e conhecimentos para a capacitação tecnológica eficaz e inovadora da empresa.
(ii) Os clientes contratantes são Diretores e Gerentes do macroprocesso de atividades centrais do negócio, que, junto com suas equipes de trabalho, são consumidores e avaliadores dos serviços de inovação. As características dominantes desta clientela são: comprometida e assoberbada com atividades da situação presente da Empresa; vinculada a fazer escolhas de métodos de projeto, análise e realização, assim como de equipamentos e materiais, já testados, validados, eficientes, de fácil e rápido acesso; interessada apenas nas partes de engenharia de produto e de processo estratégicas para o domínio competitivo do negócio e para as quais não há possibilidade de compra de soluções prontas ou subcontratação de execução no mercado, segundo condições de ampla escolha e competitividade; e, por questão de sobrevivência e segurança, instintivamente levada a defender inovações incrementais, de produtos e serviços sobre os quais tenha proficiência.
(iii) As características essenciais da sua forma de desenvolver os serviços são: (1) trabalhar segundo esquema de programas, com equipes que desenvolvem e, em seguida, implantam as inovações tecnológicas nas atividades de produção da Empresa; (2) trabalhar a efetivação continuada do domínio do estado da arte tecnológico e de gestão da inovação tecnológica através de ações de informação e capacitação atualizada; (3) manter equipes e instalações dedicadas mínimas e necessárias para a fase industrial de P&D, nas competências estratégicas para a competitividade nas engenharias de produto e de processo da Empresa; e (4) considerar como parte do desafio a informação, conscientização e convencimento de dirigentes, chefias e líderes de equipes para a prática de esquemas de gestão sistêmica, adaptativa e inovadora.
(iv) O alcance de atuação abrange tanto os setores ligados a atividades fim da empresa, assim como se estende aos fornecedores, inclusive e principalmente as Universidades, Institutos de Pesquisa e Sociedades Científico-Tecnológicas.
Com esta visão deve atuar com entendimento e convicção de garantir que:
(i) A necessidade e contribuição da unidade de inovação sejam reconhecidas e valorizadas pelas equipes de trabalho da empresa.
(ii) O estado da arte, relativo a metodologias, tecnologias, produtos e em gestão da inovação, seja acessado, compilado criticamente e comunicado didaticamente às equipes de trabalho.
(iii) Relação custo-benefício favorável através do valor adicionado, já no curto prazo, nos resultados de melhoria do capital humano da Empresa.
(iv) A fase industrial de P&D seja realizada nas partes estratégicas de engenharia de produto e de processo, e que a propriedade intelectual seja garantida.
(v) Interface no relacionamento com Universidades e Instituições de Pesquisa seja efetivada.
(vi) Parcerias sejam estabelecidas com fornecedores, para capacitação tecnológica.
(vii) Incentivos e apoios governamentais a P&D sejam identificados e aproveitados.
Como a forma de fazer a competitividade acontecer é a partir da ação e vontade de equipes de trabalho capacitadas e competentes, como condição necessária para a sinergia eficaz e inovadora, há que se adotar como política e diretrizes:
(i) Tratar a atualização e desenvolvimento das equipes de trabalho como o encontro dos interesses de empregabilidade destas com os de competitividade da Empresa.
(ii) Explorar, ao máximo, recursos de comunicação para colocar compilações críticas do estado da arte ao alcance das equipes de trabalho.
(iii) Considerar como fontes preciosas para compilações críticas do estado da arte os resultados da ação de Sociedades Científico-Tecnológicas, tais como congressos e outras formas de encontros, assim como revistas e anais.
(iv) Demonstrar a contribuição da unidade de inovação à lucratividade e valorização do negócio da empresa, através de indicadores objetivos.
(v) Manter equipes e instalações próprias mínimas, para a fase industrial de P&D necessária ao domínio tecnológico das engenharias de produto e processo. Procurar transferir, para os setores de produção, junto com as tecnologias desenvolvidas, as equipes que as desenvolveram, e aproveitar, ao máximo, laboratórios de desenvolvimento e testes existentes nas Universidades e Instituições de Pesquisa.
(vi) Cultivar relacionamento com um grupo seleto de Universidades e Instituições de Pesquisa, como parceiros de pesquisa e como fornecedores de informações e atividades de ensino e consultoria. Buscar utilizar fontes governamentais de recursos nestas parcerias, e aproveitar as equipes formadas ou especializadas ao longo dos projetos de pesquisa (técnicos, mestres e doutores) como fonte de recursos humanos especializados.
(vii) Compartilhar e apoiar, em casos especiais, atividades de capacitação tecnológica com fornecedores estratégicos ao domínio tecnológico do negócio Empresa.
(viii) Aproveitar as oportunidades oferecidas por instituições de fomento e apoio à pesquisa e desenvolvimento tecnológico, para suportar os projetos internos de inovação industrial, sempre que possível, sem afetar as condições de propriedade intelectual.
A lógica organizacional da Unidade de Desenvolvimento e Inovação Tecnológicos, em termos de composição e inter-relacionamento de atividades, é a de uma organização interna singular com um papel de apoio estratégico e que segundo uma abordagem sistêmica, funciona em rede de troca de informações e recursos. Para a necessária ação sistêmica e respaldo de poder para decisões e atividades, é fundamental que a unidade de inovação tenha direção de natureza corporativa, ocupada por pessoa empreendedora, com formação e experiência em pesquisa e que responda diretamente à alta Direção.
Soluções Organizacionais: Institutos de P&D Pré-Competitivos de Setores Empresariais
As empresas precisam do suporte de instituições de intermediação para efetivar relacionamento produtivo com as instituições geradoras de conhecimento científico tecnológico. As empresas de um dado setor precisam de instituição que atue com interesse focado, forma de ação, energia e tempos de resposta que sejam consistentes com empreendimentos tecnológicos deste setor industrial. A missão de universidades e centros universitários acarreta modelo organizacional, tempo de respostas de processos de trabalho e carga de trabalho para seus pesquisadores que dificultam relacionamentos diretos, mesmo quando as fundações de intermediação a elas ligadas são usadas.
Há, pois, demanda para empreendimento cooperativo, comprometido com seu respectivo setor industrial, que execute P&D pré-competitivo com enfoque pragmático e objetivando resultados para a competitividade deste setor. Este tipo de empreendimento proveria:
(i) Apoio ao setor em processos para prospectar, avaliar, desenvolver, certificar e incorporar tecnologias avançadas e inovadoras à base tecnológica do setor, para que o conjunto de suas empresas tenha condições necessárias de manter produtos e processos inovados, com competitividade.
(ii) Em especial, condições de apoio às pequenas e médias empresas do setor para viabilização de domínio tecnológico atualizado e inovado dos processos e produtos específicos de seus negócios.
(iii) Condições de acesso e de gestão eficiente e eficaz de recursos de programas governamentais de suporte a desenvolvimento tecnológico.
As pequenas e médias empresas se beneficiarão significativamente deste esforço cooperativo para viabilizar seu desenvolvimento tecnológico. As grandes empresas, ainda que por razões apenas de eficiência, já terão interesse suficiente para participar de um empreendimento cooperativo deste tipo.
Portanto, é crucial que existam, no cenário nacional, empreendimentos cooperativos, comprometidos com seus respectivos setores industriais e que executem P&D pré-competitivo com enfoque pragmático e objetivando resultados para a competitividade deste setor.
Por seu papel de agente estratégico de competitividade para um setor industrial, um empreendimento cooperativo pode ser caracterizado como de interesse público sem fins lucrativos e, portanto, garantir acesso a recursos públicos não reembolsáveis.
Soluções Organizacionais: Gestação e Inovação Tecnológica de Negócios
Na cadeia de negócios necessários para transformar conhecimento em domínio renovado e inovado de tecnologias para a competitividade de produtos e serviços da economia, há que haver um elo intermediário catalisador, agilizador. É o elo correspondente a organizações de gestação e inovação tecnológica de negócios.
Sendo um elo da cadeia necessária de negócios, há que haver mercado para organizações que efetivem este elo! Há o potencial e a necessidade para este tipo de organização. As necessidades e utilidade que justificam e sustentam sua existência são:
(i) Localizar, analisar e avaliar oportunidades de aproveitamento de desenvolvimentos científicos e tecnológicos feitos em instituições de pesquisa, com conteúdo de inovação para gerar propriedade industrial e com condições de exploração empresarial.
(ii) Agenciar o acesso a capital de risco e de fomento para os custos de preparação de patentes e seu registro.
(iii) Agenciar a comercialização de patentes, através de licenciamentos ou venda de direitos.
(iv) Agenciar o acesso a capital de risco e de fomento para viabilização de novos negócios, através da exploração de oportunidades propiciadas por inovações tecnológicas.
(v) Assessorar tecnologicamente a fase empresarial de aproveitamento e implementação de inovações tecnológicas.
(vi) Assessorar empresas para a definição da sua “Estratégia de Domínio Competitivo” e para implantar e manter programas de inovação tecnológica.
(vii ) Assessorar a organização de empresas de base tecnológica.
Conclusões
O jogo do desenvolvimento tecnológico no mundo empresarial é processo que existe e se desenvolve pela exploração das oportunidades de mercado propiciadas pelas necessidades de sobrevivência, segurança e conforto das pessoas, condicionadas aos seus ambientes físico, biológico, cultural e político.
O processo do jogo tem que ter necessariamente as três partes, em que a defesa é o subprocesso de pesquisa, o meio de campo é o subprocesso de desenvolvimento e inovação tecnológicos e o ataque é o subprocesso de produção e comercialização; mas tem também que incorporar as atividades de um negócio de intermediação, de catalisação e agilização com o papel de gestação e inovação tecnológica de negócios.
As diferenças nos resultados de cada uma destas partes implicam na necessidade de formas distintas de realização organizacional para cada um dos respectivos subprocessos.
Na atual conjuntura, constata-se que no subprocesso de produção e comercialização, isto é, o das empresas, há falta generalizada de domínio tecnológico dos negócios e de abordagens para obtê-lo. No subprocesso de desenvolvimento e inovação tecnológicos, falta uma organização melhor nas empresas e no espaço de intermediação com universidades e institutos de pesquisa. No subprocesso de pesquisa vive-se realidade de forte engajamento com a comunidade internacional, faltando maior engajamento com pesquisa tecnológica voltada para o ambiente físico biológico do país e realismo de atitude para efetivar condições de parcerias com empresas para projetos de desenvolvimento e inovação tecnológicos.
Enfim, da forma como se joga o processo do jogo do desenvolvimento tecnológico no país, o ataque está capenga, querendo ganhar o jogo prescindindo do meio de campo, e a defesa tende a agir como se pudesse jogar sozinha!