Indivíduos humanos são criaturas com compulsão instintiva por sobrevivência, segurança e bem-estar individual, mas são também criaturas com cognição, propiciadora de percepções, entendimentos e arbítrio, o que em tempo lhes fez perceber a necessidade de esquemas coletivos de vida para garantir sobrevivência.
Em ambientes coletivos, é necessário que todos tenham atitudes e comportamentos morais e éticos dos quais todos dependem para que cada um tenha possibilidades de vida saudável. Enfim, há que se cuidar do coletivo para efetivar vida saudável individual, que depende de cada um e todos.
Na coreografia da vida com sua diversidade de papéis e de oportunidades, satisfazer o egoísmo de sobreviver com segurança e bem-estar necessariamente implica fazê-lo sem espertezas ou oportunismos de se querer quebrar ou afrontar a ordem coletiva maior; implica fazê-lo com a sabedoria de escolhas, com inserção, integração e busca de colaboração nos ambientes coletivos em que se vive, como o fazem os bons músicos, atletas e atores, que atuam com protagonismo criativo, e o fazem pelo sucesso de solução global e integrada, que é, sempre, de seu verdadeiro interesse.
Os esquemas coletivos de vida precisam prover condições de ser ao indivíduo, com a efetivação de ambiente-suporte para a realização de sexualidade, bem-estar emocional, desenvolvimento e busca de autorrealização, respeitada a variedade humana que ocorre na Natureza. Para tanto, certamente será necessário satisfazer a condição de predominância da compaixão, para causar ambientes coletivos de convivência pacífica, harmônica e construtiva, apesar de diferenças de sexo, etnias, crenças religiosas, sistemas socioeconômicos ou culturas (https://www.atairriosneto.com/2019/02/10/da-necessidade-da-compaixao/).
A ansiedade instintiva por condições materiais de vida segura, confortável e com bem-estar é solo fértil para a atitude de querer “efeitos imediatos” e individualistas, o que faz dos indivíduos presas fáceis da ilusão de se poder isoladamente comprar com consumo, isto é, com meios materiais de ter, a rápida autorrealização e satisfação emocional. A ansiedade também natural, porque instintiva, de busca de um sentido espiritual para a vida leva os indivíduos a risco de vulnerabilidade de querer viver de forma egocêntrica “o andar de cima” enquanto se está preso à vida real do “andar debaixo”. São as armadilhas de egoísmos não racionais que comprometem as possibilidades de viver processos de percepção, entendimento e ação para efetivar condições de vida de desenvolvimento e realização possíveis no mundo em que se está condenado a ter que viver.
Em síntese, somos como as andorinhas, não conseguimos fazer verão de forma egocêntrica; temos de fazê-lo com egoísmo racional, com altruísmo calculista e oportunista de cuidar do bem comum para bem cuidarmos de cada um de nós mesmos.
A viabilidade de vida humana saudável na “espaçonave Terra” depende da predominância de evolução humana para níveis de percepção e entendimento que disseminem como natural a prática do egoísmo racional. Evolução humana com níveis de percepção e entendimento com abrangência global, que leve os indivíduos a cuidarem bem do coletivo ambiental e a se integrarem e harmonizarem com a “aldeia global”, como se ela fosse a sua família ou comunidade!
É um desafio e tanto. A questão que se coloca é se haverá chance de predominância de vida civilizada se este desafio não for vencido?