Não haverá São Jorge que possa vencer a ameaça permanente do dragão da inflação, sem as armas da produtividade produtiva e competitividade tecnológica!
A modelagem e análise, com o auxílio de um diagrama de causa e efeito do tipo “espinha-de-peixe” é esclarecedora; permite entender o processo e fatores da formação e variação de preços de produtos e serviços e a necessidade de produtividade com competitividade tecnológica.
Do lado de composição de custos, constata-se que a formação de preços tem, para quem produz, causas de variação fora do controle; tem também causas que podem ser desinflacionarias em decorrência de desenvolvimentos tecnológicos e inovações.
Os recursos de entrada (materiais, energia, informações) têm variações de custo que podem estar fora do controle de quem produz, se tiverem variação devida a uma ou mais das seguintes causas: clima ou tempo; mercado internacional; variação cambial; e ou incorporação crônica de inflação passada. As variações desses custos podem também ter variações para menos, em função de aumento de conhecimento e melhor exploração de condições ambientais, assim como em função de incorporação de novas tecnologias, tais como genética, informática, telecomunicações e automática, na modernização de tecnologias anteriores, como tem sido o caso com mineração, agricultura, pecuária e produção de energia.
Ainda do lado da composição de custos, capital e comercialização são diretamente afetados pelas políticas de juros adotadas por governos; o custo de comercialização é também afetado por condições de infraestrutura.

O custo de tributação fica totalmente por conta dos governos e tem um duplo efeito: o do custo acarretado pelo seu valor nominal e o do custo da burocracia para seu processamento.
Os custos relativos a uso de instalações e a salários incorporam cronicamente inflação passada, face a legislação de ajustes que impõe correção monetária baseada em índices de inflação e negociações salariais. No caso de salários, isto pode ser atenuado e até compensado por aumentos de produtividade ou absorvido na margem de lucro no caso de custos de produção não intensivos em mão de obra.
Dentre os custos, o de tecnologia, isto é, o relativo a concepção, projeto e processo de produção do produto ou serviço, é o que pode afetar significativamente a produtividade e competitividade, em decorrência de desenvolvimentos tecnológicos e inovações. Entendendo ser desenvolvimento tecnológico dependente não só de softwares e equipamentos, mas necessariamente de pessoas capacitadas.
Do lado de aferição de lucro, atuam decisivamente as condições de mercado, para conquista e manutenção de clientela. Elevada concorrência e ou demanda baixa pressionam lucros e, consequentemente, preços para baixo, certamente. Singularidade e ou nível de inovação elevados garantem baixa concorrência e permitem esticar a margem de lucros até o limite de capacidade de aquisição da clientela do segmento de mercado a que se destinam os produtos ou serviços.
Em síntese, inflação produz cronicamente aumento de preços e, vice-versa, formação de preços pode produzir inflação, em um círculo vicioso que só pode ser quebrado por aumento de produtividade e competitividade que, no mercado interno, garanta margens de lucro sem incorporações de inflação passada e que, no mercado internacional, garanta competitividade com produção de divisas. Se não houver produtos e serviços de alto conteúdo tecnológico, e consequente alto valor agregado, que gerem com a exportação balanços de pagamentos favoráveis e acúmulo de divisas verdadeiras, então não há, para um dado país, como se ter política de juros baixos que possa também eliminar a causa de inflação na produção devida aos custos de capital e de comercialização.
Infelizmente, em países em que predominam baixos níveis escolares e de desenvolvimento cognitivo da população, não há como quebrar esse círculo vicioso, pois sem a condição necessária de pessoas com elevado nível educacional, não há como garantir aumentos de produtividade e ou desenvolvimento de produtos e serviços singulares de alto conteúdo tecnológico e de inovação. Se não houver ganhos de produtividade e ou singularidade, não haverá como interromper o efeito da incorporação de inflação passada nos custos!