Filosofia Existencial: O Amor como Comportamento que Interessa a Todos

O amor como comportamento que interessa a todos, como comportamento por racionalidade, é o comportamento de lidar com outros indivíduos de modo a se ter ambiente de paz, harmonia e de combinação de esforços para a garantia de condições de vida coletiva. O indivíduo sozinho não tem condições de ter tudo que precisa para viver; precisa combinar esforços para atender suas necessidades materiais e psicológicas. A vida em sociedade é uma coreografia, em que os papéis se somam e se completam, para que se tenha solução de ambiente de vida com condições de sobrevivência, segurança e bem-estar para cada um e todos.

Os princípios da moral e dos códigos de ética têm que ser conscientemente adotados para possibilitar a vida nas organizações coletivas. Mais do que isso, o indivíduo tem também que participar de esquema em que uns cuidam dos outros, para que se estabeleça ambiente em que prevaleçam a generosidade, honestidade, compaixão e justiça, porque que assim seja é do interesse de cada um e de todos. Mesmo não tendo sentimento de simpatia e bem-querer, o indivíduo, por interesse de querer sobreviver bem, necessita o amor como comportamento racional, para tratar e lidar com outros indivíduos nos ambientes em que tem que tocar sua vida.

Nas “equipes em que se joga o jogo da vida”, que são a família, a comunidade, a nacionalidade, e a humanidade, só se consegue a vitória de uma vida com segurança e bem-estar quando a vitória é da “equipe”. Os indivíduos humanos têm que usar suas capacidades de percepção, entendimento e domar suas vontades compulsivas, de modo a lidar solidária e cooperativamente para realizar seu interesse de viabilizar condições de sobrevivência, segurança e bem-estar.

O amor por comportamento de racionalidade não exclui, mas não é o amor dos sentimentos de afetividade, quais sejam: bem querer entre pessoas, mesmo quando não há nenhum interesse; ou os sentimentos de relacionamentos afetivos que resultam entre pares de indivíduos, por compulsão de libidos em sentimento de paixão; ou os sentimentos entre pais e filhos, por instinto de filiação e de preservação e perpetuação através de descendentes. Certamente, também não é o amor dos santos, que por sentimento desinteressado de fraternidade e solidariedade amam a todos seus semelhantes. O amor por comportamento de racionalidade não depende de virtudes intrínsecas de santidade, mas sim de percepção e entendimento de como lidar de forma racional e sábia com os próprios interesses nos necessários esquemas coletivos de vida. Enfim, o amor por comportamento de racionalidade é a prática de valores de uma cultura de ação sinérgica nas organizações da vida humana. É a cultura da incorporação e prática do “lema mosqueteiro: um por todos, todos por um”.

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