Salve o sistema de livre mercado! Aposente-se o Capitalismo, velho e doente! O seu desvio comportamental de confundir os meios com os fins e de acreditar e defender a obtenção de sucesso individualista egoísta, com abusos rentistas e especulativos, em desrespeito e à custa de condições de sustentabilidade e saúde socioeconômica, indicam condições de senilidade incurável. Aposente-se e interne-se o Capitalismo no asilo das fases da história econômica. Seu papel esgotou-se em desvios incuráveis e danosos a sua clientela, a humanidade.
Salve e permaneça o sistema de livre mercado! Entre em cena uma nova versão de sistema econômico, sem nenhum prejuízo à livre iniciativa, mas em um nível de evolução de percepção e entendimento de que o bem individual não se realiza à revelia do bem coletivo; um sistema econômico em que os agentes atuem sempre em processos com adição de valor, produzindo bens úteis a condições de sobrevivência, segurança ou bem-estar humano. Nada demais em termos de vida econômica, apenas o vínculo de se lidar saudavelmente com os necessários sistemas de vida coletiva. Na verdade, que assim seja é de interesse de cada um e de todos, pois é já bem conhecido que não há escapatória para o fato que cada indivíduo só realiza seu bem-estar se respeitar sua condição de ser social e conquistar autoestima e realização, sendo útil e construtivo nos ambientes em que vive. Assim também é e deve ser com o indivíduo empreendedor econômico.
Para garantir que o nível de civilização humana atual não seja engolfado e destruído por um predomínio avassalador de miseráveis e ignorantes, está mais do que na hora de fazer Economia com Filosofia. Na verdade já chega a ser urgente fazer Economia pautada por Filosofia Existencial que dê condições de sobrevivência ao sistema civilização humana. Com a maioria de suas partes já deterioradas, o sistema civilização humana pode colapsar apocalipticamente a qualquer momento. Vale insistir que a preservação da “bicharada humana” não pode acontecer com desigualdades socioeconômicas que tiram condições de vida digna para a maioria da população. Está mais do que na hora dos indivíduos agentes econômicos usarem seu forte e prevalente instinto de sobrevivência para atuação que reconheça “a necessidade de racionalidade para garantir condições satisfatórias de vida para cada um e todos, no habitat espaço-tempo do mundo material”.
Está mais do que na hora da ação dos agentes econômicos se pautarem pelo entendimento de que a realização compulsiva de segurança e bem-estar só pode ser legitimada se houver meios lícitos, sem ações predatórias causadoras de danos de desigualdade e miséria social.
Já que a imparcialidade vale para tudo e todos na ordem que existe na Natureza, a necessidade da compaixão racional se impõe. A pretensão de direitos a privilégios de egos irracionais afronta a imparcialidade da ordem natural das coisas e seres e está na origem das ações econômicas predadoras e desigualdades sociais. Enfim, também nas decisões e ações econômicas a “compaixão é necessária como comportamento racional, face à inexistência de parcialidade e privilégios nos processos da Natureza”. O indivíduo agente econômico tem que entender que a imparcialidade da Natureza impõe o princípio da ação e reação: “há que se ter compaixão com os outros para se ter compaixão consigo mesmo. Ao se entender, perceber e se compadecer com as condições adversas do outro, por reação se previne da vulnerabilidade às mesmas condições, mas também se previne da atitude de orgulho e intolerância, mãe da violência”.
Aqueles que atuam no meio econômico têm que ter fé racional na ordem das coisas e seres e “viver com naturalidade a inexorável ordem do mundo material, acatando o natural como justo e sábio, acreditando na possibilidade de se realizar, para cada um e todos, sobrevivência, com segurança e bem-estar na ordem existente das coisas”.

E finalmente, mas crucialmente, não tendo o indivíduo condições de vida autônoma, conclui-se da necessidade do amor como comportamento de conveniência no mundo em que se vive. O “amor como comportamento racional” para possibilitar convivência com efetivação de condições sistêmicas de vida. Em síntese: “o amor como comportamento racional, como a sabedoria de cuidar do bem do coletivo, do bem comum, para calculisticamente cuidar do bem individual”!!!