Jovens Acudam. Que Sistema de Livre-Mercado de Araque é Esse Nosso?

Caros jovens, coube-me, por delegação de consciência pesada, lhes encaminhar a denúncia protesto de situação que coloca em risco o futuro viável deste nosso Brasil. A esperança é que vocês tenham respostas soluções para os questionamentos, análises e diagnósticos que no ocaso de nosso viver lhes colocamos.  

Que sistema de araque é esse em que bancos não cumprem seu papel de financiar a produção e investimentos, mas, pelo contrário, exageram no papel de investidores especuladores? Em que bancos lucram exageradamente em benefício preponderantemente de banqueiros e seus acionistas, enquanto a economia dos que produzem está em crise, com desemprego  e travamento de consumo? Em que bancos agem em cartel, com prática de agiotagem abusiva, favorecendo a situação de ser melhor emprestar dinheiro do que empreender e produzir?

            Que sistema de mercado de araque é esse que cobrando juros escorchantes em cartões de crédito, vampiriza a pouca renda e provoca a inadimplência dos mais pobres, destruindo sua capacidade de consumo, contribuindo para o desemprego e recrudescimento da miséria? Que ignora o fato de “pobre ser bom pagador” e penaliza a maioria honesta, trabalhadora e boa pagadora, calibrando  os juros em função de uma minoria mal pagadora? Que sistema é esse de acomodação à confortável e sacana posição de mínimo esforço ineficiente, que não se dá ao trabalho de separar o “joio do trigo” e que busca conseguir lucro fácil  à custa da inadimplência geral dos mais pobres, ainda que travando por um bom tempo o consumo, gerando crise socioeconômica? Que trava de maneira burra o consumo de uma parte expressiva do mercado consumidor, o que não é um bom negócio para ninguém? Que cria situação em que não só os consumidores de baixa renda saem perdendo, mas, também, comerciantes, organizações do setor produtivo e do setor público em termos de arrecadação? Que sistema é esse, em que, em consequência, perde também o setor financeiro que deixa de fazer negócios de intermediação e crédito financeiros, inclusive e principalmente,  por inibir os limites de consumo daqueles que têm poder aquisitivo e se autorreprimem por percepção de que é um mau negócio parcelar os débitos de crédito face aos juros escorchantes?

          Que sistema de araque é esse em que especuladores agem impunemente, usando e abusando de recursos de acesso, transmissão e processamento  de dados para,  com muita rapidez, abusar do país e suas empresas, que por natureza são muito mais lentos e, portanto, sem condições de reação e defesa em tempo? Em que investidores especuladores sempre levam vantagem e não têm que arcar com as consequências de suas escolhas ao prejudicarem o país e suas empresas?

            Que esse sistema é de araque pode ser confirmado pela constatação de resultados angustiantes e assustadores. É o sistema econômico cujos resultados têm sido:   miséria e violência crônicas; crescimento do crime organizado, tráfico e consumo de drogas; corrupção generalizada, principalmente no setor público; crise da nossa democracia representativa,  com grande perigo da volta de autoritarismos e totalitarismos; e, para completar, descontrole ambiental.

            Respostas têm sido buscadas tentando entender o porquê de tanta ação danosa. O sistema econômico como  está posto e operando valoriza e premia a ação por benefício individualista e por busca de lucro pelo lucro, em que a ação dos agentes econômicos acaba por resultar danosa aos necessários ambientes de vida coletiva. O problema, ou  grande parte dele, pode estar na falta de percepção e entendimento de que há necessidade de prática de dois valores: primeiro que o bem individual só se realiza com contribuições para a construção e saúde do bem coletivo; e que o lucro deve estar sempre vinculado a  produzir bens úteis a condições de sobrevivência, segurança ou bem-estar humano.

            O sistema como está posto valoriza e premia agentes predadores com carência de desenvolvimento cognitivo e evolução psicológica. Agentes em que  falta  percepção e entendimento da necessidade de esquemas coletivos de vida para a sobrevivência, segurança e bem-estar dos indivíduos humanos. Falta a esses agentes predadores percepção  e entendimento de que não há como cuidar de seu pedacinho sem participar e ajudar a cuidar de forma global e integrada de todos os pedacinhos, pois é inevitável que qualquer desarranjo afete tudo e todos.

            Que não haja mal entendido, ninguém está querendo combater a livre iniciativa e defender estatismos. Que viva o sistema econômico de livre-mercado, desde que aprimorado e necessariamente bem regulamentado. Um sistema de livre-mercado vinculado a efetivar a sobrevivência, segurança e bem-estar das pessoas, razão de existir de um sistema econômico. Um sistema livre para organizar negócios e ter lucros, desde que com processos que adicionem valor a recursos consumidos e disputem consumidores pela oferta de produtos e serviços eficazes e sustentáveis, por preços compatíveis com o seu poder aquisitivo.

            A quem encaminhar essa denúncia e protesto, senão a vocês jovens? Desculpem-nos com compaixão, jovens, por esse legado de terra arrasada de nosso Brasil.  Agora é com vocês. Aprendam com nossos erros, enquanto é tempo. Boa sorte!

3 comentários em “Jovens Acudam. Que Sistema de Livre-Mercado de Araque é Esse Nosso?

  1. Para ficar de pé-no-chão, precisamos de exemplos, talvez alguns cantos da Europa. Logo, os jovens já têm onde buscar inspiração. EUA têm capitalismo de mercado internamente e parcialmente, mas praticam tudo o errado dito acima pelo mundo afora; quando os bancos entram em crise – provocada periodicamente por eles mesmos, e pensadamente – recebem, chantagisticamente, ajuda governamental, com dinheiro do povo que embolsam e distribuem para os acionistas ‘anônimos’; um tal de PROER foi usado lá, pelo Obama, para salvar o sistema do Lehman Brothers. Poucos países escaparam desta armadilha, como a Islândia. O cerne e núcleo dos problemas atuais, do sistema global, é o fantasma ambiental, que ameaça a todos com baixo crescimento, incaapaz de sustentar a economia como está. O econômico vem de arrasto atrás do ambiental. Com tal diagnóstico, pode-se propor medidas que serão ao mesmo tempo saneadoras e promotoras de crescimento com sustentação. Seria um caminho, após o qual seguirão outros, na dinâmica que se mostrará. Abraços, compadre, parabéns pela dedicação.

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  2. Bancos, por princípio, são mercadores de dinheiro. Eles não se preocupam em financiar boas ideias e empreendedores descapitalizados. Eles só emprestam para quem já tem dinheiro e garantias. No Brasil, tudo é mais cruel porque o sistema é cartelizado e, por isso,eles fazem o que querem. E, quando morre um banqueiro, como o Lázaro Brandão, chovem elogios, e o cara vira santo.

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