Garimpando uma Riqueza ao Alcance de Todos: Percepções e Entendimentos para se Lidar com Interesses Verdadeiros de Vida.

Pensar, aprender e perceber, as três maravilhas do viver humano! Maravilhas que propiciam riqueza de bagagem de percepções e entendimentos para se lidar com a própria vida, com o que é verdadeiramente de interesse. Para se diminuir a ignorância e a chance de se  “dar tiro no próprio pé”, de se julgar “andorinha que sozinha possa fazer o verão”. Para não se desafinar ou ter derrotas vergonhosas, ao não se respeitar e cumprir dedicadamente papéis em arranjos e esquemas coletivos. Para se ter a sabedoria de inserção, integração e busca de desempenho nos ambientes de que se faz parte, como o fazem os bons músicos e atletas.

A Natureza funciona sem privilégios, ela não faz diferenças, é imparcial. Nela tudo acontece de modo que o que vale para um, vale para todos. Vale um “princípio de imparcialidade. Sem mérito ou demérito, cada um e todos são o resultado de seus processos biológicos, psicológicos e de seus processos de criação, educação, assim como de condições econômicas, políticas, sociais e culturais vividas.

Como todos os indivíduos são “feitos do mesmo barro”, o natural é que, por uma questão de imparcialidade, se tenha que “beber da mesma água”, para, nas mesmas estradas da vida, matar a mesma sede; não se pode, pois, dizer: “desta água não beberei”.

            A compaixão deve ser vacina eficaz contra a inveja e a revolta que poderiam ser causadas pelos méritos deoutros indivíduos. Na diversidade da vida, sempre se defrontará com outros indivíduos que se diferenciam em conhecimento, experiência, habilidade e ou competência, com maiores poderes de ação e decisão. Por uma questão de imparcialidade, cada indivíduo há de querer para outros indivíduos o que haveria de querer para si: reconhecimento, valorização e admiração para os méritos conseguidos pelo uso de dons de nascença e aproveitamento de oportunidades de criação, educação, condições sociais e culturais. Revolta e indignação devem ser reservadas para a falta de oportunidades, como causa de desigualdades.

Não dá para querer entender tudo e, muito menos, controlar tudo no desenrolar da vida. Se desse, cada indivíduo cuidaria de não dar cabeçadas e de evitar os momentos de crise que todos acabam por ter que enfrentar, quer por falta de entendimento, quer por falta de capacidade de ação. Ter fé racional na sabedoria e justiça da Natureza ajuda a lidar com o sentimento de sofrimento. No entanto, ter esta fé racional não é aceitar passivamente e com atitude de coitadinho o sentimento de sofrimento, mas sim ter a atitude protagonista de se procurar superação para inevitáveis dores e tristezas, como paciente que sempre faz a escolha de buscar a cura para recuperar a saúde.

Na coreografia da vida, o indivíduo “dança conforme a música”, de arranjo e ritmo do mundo em que lhe é dado viver. Presos nas cadeias de causa-efeito, os indivíduos são criaturas sem condição de entender e desvendar a causa que os causou; a sua sina de criatura-efeito é a de, na melhor das hipóteses, entender como as coisas funcionam, e de aprender a se adaptar e a lidar com efeitos, para conseguir condições de sobrevivência, segurança e bem-estar, sempre conforme impõe a coreografia da ordem natural das coisas.

A possibilidade de perceber e entender suas origens e limites transcende o indivíduo. A sua mente lógica e capacidade de abstração o levam ao entendimento, por relação de causa e efeito, da necessidade da existência de Entidade-Causadora, Deus, sem, no entanto, lhe permitir transcender e entender suas razões de ser e, muito menos, entender e qualificar a Entidade-Causadora, bem como seus propósitos. No entanto, “o natural é que os sentidos, instintos e capacidade cognitiva dos indivíduos humanos devam ser suficientes para lidar com suas condições de sobrevivência, segurança e bem-estar no habitat espaço tempo a que estão restritos.

Esquemas de vida saudável, nas necessárias soluções coletivas, dependem de interatividade pautada pela moral e pela ética, que demandam indivíduos com prática autodisciplinada de amor como comportamento: indivíduos cuidando uns dos outros com atenção, generosidade, honestidade, compaixão e justiça, porque que assim seja é do interesse de cada um e de todos.

Os indivíduos vivem sempre em situação de interdependência com outros indivíduos. Nas “equipes em que se joga o jogo da vida”, que são a família, a comunidade, a nacionalidade e a humanidade, só se consegue a vitória de uma vida com segurança e bem-estar quando a vitória é de todos. Os indivíduos têm o exemplo da Natureza, em que o comportamento das partes é sempre em função da existência do todo.

Todos têm o direito de querer viver bem. Só não se pode querer isto à custa de se desrespeitar a “lei e ordem” da Natureza. Indivíduos humanos, porque de seu interesse, têm que usar meios que não os tornem criminosos ecológicos ou socioeconômicos. Ao desrespeitar a ordem natural das coisas e seres, o indivíduo coloca em risco, mais do que o próprio bem-estar e sobrevivência; coloca em risco  também os seus entes queridos.

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