Necessário Papel de Elites nas Organizações da Vida

O Mundo anda tomando rumos perigosos. Para que haja chance de sobrevivência humanizada da bicharada humana, faz-se, mais do que nunca, necessária a liderança daqueles que sabem e percebem o que  fazer para que haja chance de se  efetivar ambientes humanos com qualidade de vida sustentável.

Informações de saberes existentes identificam um padrão dinâmico por estágios de evolução do indivíduo humano (W. Graves¹, Beck e Cowan²). Em um estágio de evolução o indivíduo está segundo um conjunto específico de percepções e entendimentos, que vinculam, condicionam suas escolhas, atitudes, comportamentos e ações de vida.

 No topo da espiral de evolução, identifica-se a ocorrência de três estágios onde estão, ainda, parcelas muito pequenas da população. São as elites de evolução humana atual, com as características a seguir².

O Eu Sensível: Mentalidade comunitária, com preocupação em criar vínculos, sensível a abordagem ecológica e trabalho em rede; crença que o espírito humano precisa se libertar da ganância, do dogma e do divisionismo; sentimentos e solidariedade suplantam a fria racionalidade; reaviva-se espiritualidade, busca-se harmonia e valorização do crescimento humano; ênfase no diálogo e relacionamentos; atitude igualitária, antihierárquica e de negação do autoritarismo; crença em decisões por negociação e consenso; em valores pluralísticos, multiculturalismo e relativismo pluralista; atitude subjetivista, com pensamento não linear e preocupação pelo planeta e seus habitantes; usa-se abordagem sistêmica para se lidar com problemas. Ocorre na psicologia humanista, no pós-modernismo, no ecologismo, na atividade politicamente correta, nos movimentos a favor da diversidade e direitos humanos. Representaria parcela pequena da população com grande poder de organização e manifestação.

Integrativo: Pensamento sistêmico, com concepção e entendimento de abordagem global e integrada; vive-se plena e responsavelmente como se é e como se aprende a ser, o mundo não é necessariamente como o conhecemos; crença que a vida é um caleidoscópio de hierarquias naturais, sistemas e formas; que a magnificência da vida está acima de bens materiais; flexibilidade, espontaneidade e funcionalidade tem a mais alta prioridade; conhecimento e competência deveriam superar hierarquia, poder, status; motivação por aprendizado para benefício próprio e voltado a integração de sistemas complexos;  mudanças encaradas como naturais nas organizações e processos de vida; desafios são bem vindos; possibilidade de união de diferenças e pluralidades, diferenças podem ser integradas em fluxos naturais  interdependentes; atitude e comportamento de buscar mistura natural de verdades e incertezas, com habilidade de aceitar paradoxos de manter contradições; de descobrir  liberdade pessoal sem prejuízo a outros ou excesso de interesse-próprio; preocupação com as condições do mundo porque elas impactam a vida pessoal, como parte do seu sistema de vida; a viabilidade deve ser restaurada em um mundo em risco devidos aos efeitos cumulativos dos abusos no ambiente e populações; o propósito de vida é ser independente nos limites da razão, conhecedor tanto quanto possível e preocupado tanto quanto for realista; ser pessoa respondendo a si própria, como uma ilha em um arquipélago de outras pessoas; desenvolvimento por caminhos e meios naturais é mais importante do que se sacrificar por ter ou fazer. Ocorre em eco parques tecnológicos; nos objetivos de qualidade total; teoria do caos. Representaria população com poder de ação que seria ainda não significativo,  porém superior ao seu nível de ocorrência.

Holístico: Pensamento holístico e intuitivo, com atitudes e ações cooperativas; unindo conhecimento e sentimento, experimentando a totalidade da existência com mente e espírito; crença que o mundo é um único organismo, com sua própria mente coletiva, mantendo consciência ecológica da unidade da vida; o eu é ao mesmo tempo distinto e uma parte misturada de um todo maior; foco no bem de todas entidades vivas como sistemas integrados; ordem universal mas de maneira viva e consciente, com possibilidade de abordagem integral, na teoria e na prática; forma de pensar que engloba toda a espiral do desenvolvimento humano, percebendo e  considerando múltiplos níveis de interação, com capacidade de ver e aceitar várias perspectivas, incluindo os estágios anteriores de níveis mais baixos; consciência de campos de energia, ligações holográficas em todos caminhos de trabalho de vida, advogando o uso de inteligência humana coletiva em problemas de larga escala, sem sacrificar individualidade. Representaria população com poder de ação não significativo, no entanto bem superior ao seu nível de ocorrência.

Embora necessária nas organizações da  vida, apenas idealmente há a possibilidade de se vincular a seleção de candidatos a dirigentes à satisfação de requisitos que garantam escolha de pessoas com percepções, entendimentos, atitudes e comportamentos adequados. É claro que se estará sempre sujeito ao estágio de evolução de quem está no  topo de poder para condicionar escolhas!

  No caso de cargos públicos, tanto a seleção do funcionalismo como  a dos  candidatos políticos deveria e poderia estar sujeita a requisito de estágio de evolução compatível com o lidar com a coisa pública, exigindo-se evolução pelo menos correspondente ao estágio de O Eu Sensível.  

No caso das organizações, tanto empresas como instituições, na era atual uma nova lógica organizacional se faz necessária, com abordagem sistêmica do inter-relacionamento dos processos de trabalho, de modo a propiciar ações e resultados sinérgicos, eficazes e inovadores. Assim, as correspondentes situações das tarefas de trabalho das organizações de hoje, à exceção daquelas poucas que exigem apenas habilidades manuais e podem ser executadas de modo fracionado, exigiriam pessoas em níveis maiores de desenvolvimento humano. Os das áreas técnicas e de marketing certamente precisariam estar com uma tendência de progredir para o estágio  de O Eu Sensível; as pessoas da área de recursos humanos deveriam estar também predominantemente neste estágio. Quanto a dirigentes e chefias, precisariam estar, pelo menos, no estágio de O Eu Sensível. Em particular, para os dirigentes e chefias de áreas técnicas, o ideal é que o estágio predominante fosse o  Integrativo. É crucial que estes gerentes tenham crença e atitude de encarar os estágios anteriores com naturalidade, com visão holística, como partes necessárias de um todo, com as quais tem-se que tratar sem intolerâncias e hostilidade, com atitude de líderes integrais, que lidam pragmaticamente para obtenção de resultados e catalisação de desenvolvimento humano.

Necessidade constatada! Haja fé e esperança racionais!! Melhor acreditar que se possa estender Darwin e esperar que sobrevivam e predominem os mais aptos quanto a percepções e entendimentos que vinculem escolhas, atitudes, comportamentos e ações de vida mais favoráveis à sobrevivência sustentável da bicharada humana!!!

Desafio de consciência e ação para as elites do topo da espiral de evolução humana. Seu papel de liderança é necessário nas organizações da vida para colocar o Mundo no rumo certo!!! Será suficiente?

  ¹ Clare W. Graves: Levels of Existence: An Open System Theory of Values, Journal of Humanistic Psychology, 1970, 10, pp. 131-155.

 ² Beck e Cowan: Dinâmica da Espiral. Instituto Piaget, 2000.  

Compilado de: A. Rios Neto, GESTÃO EFICAZ ADAPTATIVA E INOVADORA DAS ORGANIZAÇÕES: Necessária para Evolução e Competitividade. Clube de Autores, 2016.

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