Filosofia do Existir no Mundo: Educação Necessária para Nossa Criançada

A evolução e melhoria da qualidade de vida neste Mundo depende necessariamente da Educação da criançada. No entanto, o ensino tradicional não tem garantido e não garantirá esse resultado. É preciso, prioritariamente, educar para a racionalidade do existir, para as pessoas perceberem e entenderem sobre o lidar com a própria vida e com os ambientes em que vivem. É preciso educar para filosofia de vida de lidar com o Mundo com a necessária racionalidade. É preciso educar para o pensar, aprender e perceber sem fim; educar para a atitude e comportamento de eternos aprendizes.

É necessário educar a criançada para uma filosofia de vida alicerçada nas premissas de que: (i) independente de opiniões e preferências, há uma ordem natural das coisas e seres no Mundo, a que tudo e todos estão sujeitos; (ii) as criaturas humanas são seres de vida interdependente, dependendo de esquemas coletivos de vida para sobrevivência; (iii) junto com os demais seres vivos, somos todos tripulantes de uma espaçonave a céu aberto, a Terra.

Essas premissas dão a base de entendimento para que, na sua vida adulta, a criançada possa efetivar ambientes coletivos com habitat saudável de realização de sua humanidade. Conforme se tenta mostrar, dão a base para filosofia de vida que leve a atitudes, comportamentos e ações  viabilizadores de condições de sobrevivência sustentável, com conforto, segurança e bem-estar.

Compaixão face à inexistência de parcialidade e privilégios nos processos da Natureza

Na ordem natural que vale para todos imparcialmente, sem privilégios, os seres humanos são essencialmente da mesma natureza biológica e psicológica, independentemente de sexo, etnia, cultura, nível educacional, opção religiosa ou política.  Todos querem não sofrer; precisam e querem sobreviver com bem-estar. O que aconteceu ou está acontecendo com alguém é natural e poderia ter acontecido ou estar acontecendo com qualquer um. O racional, o melhor é que não haja preconceito e intolerância, é que haja compaixão, isto é, atitude de “pesar pelo sofrimento ou erro alheio”, como cada um desejaria para si mesmo; atitude de naturalidade no trato com outros indivíduos e humildade nos relacionamentos, pois há sempre diversidade de percepções e entendimentos que possibilitam aprendizado mútuo.

O indivíduo necessita cuidar do bem comum para bem cuidar de si mesmo

O bom funcionamento de um sistema depende de todas as suas partes e cada parte depende de sua ação sinérgica. Nos sistemas humanos, a orquestração da vida só leva ao objetivo de sobrevivência, segurança e bem-estar se seus indivíduos atuarem de forma harmônica e coordenada. As pessoas não são autossuficientes, dependem de vida cooperativa nas organizações humanas que são a família, comunidade e nação; dependem, também, de ambiente que possibilite condições de sustentação da vida, isto é, dependem de condições de sustentabilidade ecológica da “espaçonave Terra”. O objetivo de viver com segurança e bem-estar vincula a racionalidade de que sejam escolhidos meios que respeitem a ordem natural das coisas e seres, sem ações predatórias a semelhantes, a outros seres e coisas da Natureza.

Ter fé racional e viver com naturalidade a ordem natural das coisas e seres no mundo material

É preciso acreditar que os sentidos, instintos e capacidade cognitiva dos indivíduos humanos são suficientes para lidar com suas condições de sobrevivência, segurança e bem-estar. Acreditar que, com a capacidade de desenvolver conhecimento, há a possibilidade de ir desvendando como as coisas funcionam e desenvolver instrumentos e ferramentas para ações de vida. E assim vai-se lidando cada vez melhor com a ordem natural e com a vida.

E que, enfim, com a educação nesta Filosofia-do-Existir-no-Mundo, quem sabe se atinja a condição suficiente para debandar as crises socioeconômica e de comportamento  que andam colocando em risco a vida na espaçonave Terra. Quem sabe, finalmente, a compaixão prevaleça entre as pessoas, viabilizando a convivência pacífica e harmoniosa entre orientações sexuais, etnias, crenças religiosas, sistemas socioeconômicos e culturas. Quem sabe, finalmente, se supere o individualismo consumista e imediatista e  se viva segundo o valor de que o bem individual só se realiza com contribuições para a construção e saúde do bem coletivo. Quem sabe, finalmente, se realize uma economia de mercado em que o lucro esteja sempre vinculado a  produzir de forma sustentável bens úteis a condições de sobrevivência, segurança ou bem-estar humano.

Sem ilusão quixotesca! Um desafio gigantesco! Desafio para avós, pais, tios sábios e professores, que com compaixão e amor haverão de atuar como filósofos do existir para a necessária educação de nossas crianças.

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