Seria o mal desrespeitar, com atitudes, comportamentos e ações, a ordem natural das coisas e seres? Seria o bem usar meios harmoniosos com essa lei e ordem do Mundo, para os objetivos humanos de alimentação, moradia, locomoção, comunicação, prazeres e emoções?
O indivíduo, com sua natureza biológica e mental, está inserido no “corpo da Natureza” e, portanto, na “lei e ordem do Mundo”. Nesta ordem natural está sujeito ao predominante instinto de autopreservação e em decorrência à compulsão por meios para resultados materiais de sobrevivência e segurança. Seria, então, o uso de meios predadores, em conflito com essa lei e ordem, consequência de individualismo irracional acarretado por esse instinto de autopreservação? Seria então o mal uma imperfeição da ordem natural, em que a condição instintiva do indivíduo humano o faz ser vítima ignorante e usar de meios para sua sobrevivência que levam a desequilíbrios causadores de dor e sofrimento?
No momento histórico que se vive, há que se preocupar e muito com os desequilíbrios que os meios do sobreviver humano têm acarretado. Predominam atitudes, comportamentos e ações de predador versus presa, que privilegiam o levar vantagem e ter bens materiais e poder, ainda que a custa de meios predadores com a própria espécie. Os consequentes desequilíbrios são guerras, desigualdades socioeconômicas e crises ambientais. Caminha-se para um apocalipse, já que a reação de restauração da lei e ordem da Natureza é avassaladora para extinguir o corpo estranho espécie humana causador de tantos desarranjos.
Não haveria alternativa ao mal desses meios suicidas que condenam a humanidade a uma inevitável auto extinção? Pode ser que sim, já que a evolução humana não se limita ao ser biológico de corpo e cérebro, mas também inclui o ser cognitivo, com sua bagagem evolutiva de percepções e entendimentos, que condicionam atitudes, comportamentos, ações e crenças que podem domesticar o instinto biológico primitivo de autopreservação. A questão é se haveria tempo para se vencer o desafio de incorporar nível evolutivo de percepção e entendimento que leve os indivíduos a considerar de seu verdadeiro interesse se integrarem e harmonizarem com a ordem natural das coisas e seres. Tempo para evolução humana que seja suficiente para se entender que tudo funciona de forma sistêmica integrada e que objetivos de sobrevivência e bem-estar têm que ser efetivados de forma coletiva, com meios do bem. Tempo para evolução suficiente para efetivar desenvolvimento científico tecnológico que viabilize esses meios do bem.
Será que o “tempo rápido de resposta” científico-tecnológico atual provocará também a diminuição do “tempo de resposta” da evolução humana para níveis de percepção e entendimento que privilegiem e disseminem como natural a prática do uso de meios do bem? Será que a atual velocidade de mudanças virá com evolução humana para níveis de percepção e entendimento com abrangência global, que leve os indivíduos a se integrarem e harmonizarem na “aldeia global”, como se ela fosse a sua família ou comunidade? Será que isto acontecerá sem se ter que aprender a custa de muita dor e sofrimento, com o agravamento de crises de descontroles ambientais, sociais e sanitários?
Quem viver verá ou não viverá?