Brasil: Medidas para Libertação da Escravidão da Desigualdade Socioeconômica Crônica

Pior do que está pode ficar, e muito! Quem vai perder, quem vai pagar a conta?

Sem ilusão! Nos sistemas sociais todos dependem de todos: os que perdem cobram a conta dos que causam ou dos que nada fazem para evitar as perdas. A falta de atendimento de condições materiais de sobrevivência e de oportunidades de ascensão social da imensa maioria pobre dos brasileiros cobra das minorias e elites, transformando suas vidas no inferno da vulnerabilidade ao crime organizado, tráfico e consumo de drogas, crises existenciais e desvios comportamentais destrutivos.

A vivência das minorias e elites, também sofrendo com tanta deterioração de suas condições de vida, já deve ser mais que suficiente,  imagina-se, para levar a sério a necessidade de medidas para libertação da escravidão da desigualdade socioeconômica crônica.

Elites políticas e econômicas considerem e avaliem, pois, as seguintes medidas.  Façam-no generosamente e sem conservadorismo de apego  a paradigmas  superados que só têm feito por provocar tanta miséria e sofrimento! Elas podem ajudar na libertação do inferno que é a vida na desigualdade social, ajudar na transição, se não para um paraíso, pelo menos para um purgatório.   

(i) “Primeiro e acima de tudo, oferecer à população, com igualdade de oportunidades, educação de boa qualidade e compatível com a realidade tecnológica atual, do nível básico até o de graduação.”(1)

(ii) “Emitir moeda, se necessário for, para manter “auxílios emergenciais” e programas de “rendas de subsistência”. Considerar que em emissão para garantir “auxílio emergencial” em crises de miséria como a em que se vive, a quantidade de moeda nova injetada na Economia é da mesma ordem daquela que seria injetada, caso os bens e alimentos que poderão ser consumidos pelos miseráveis tivessem sido exportados.”

(iii) “Tomar medidas para a existência de estoques reguladores de alimentos, de modo a garantir que parte do que produz nosso Agronegócio permaneça no país para atender sua população, evitando escassez interna e sobre demandas inflacionárias.”

(iv) “Emitir moeda lastreada por adição de valor para investimentos em infraestrutura e geração de bens duráveis, nas áreas de saúde, educação, habitação popular, desenvolvimento tecnológico, saneamento, transporte, energia e comunicação.”(2)

(v) “Regulamentação do  mercado de ações, para diminuir os percentuais de ações de uma dada empresa negociadas em Bolsa e a liquidez de transações com ações, de modo a haver respeito e comprometimento com as empresas e seus  prazos de funcionamento e adição de valor. Operações de especulação financeira podem ter frequência de atuação significativamente maiores que as compatíveis com os tempos de resposta de empresas. Investidores especuladores têm que se responsabilizar e arcar com as consequências de risco e se comprometer com o timing das empresas de suas escolhas.” (3)

(vi) “Estabelecer limites para as taxas de juros da economia, de modo a não inviabilizar investimentos privados e evitar a situação de ser melhor emprestar dinheiro do que empreender e produzir. Juros altos não são eficazes para controlar preços de bens, quando o problema é falta de oferta ou preços cartelizados.  Ao provocar desemprego e reprimir o consumo, juros altos são eficazes para gerar recessão e piorar os problemas das crises socioeconômicas de países como o nosso, em que a população tem baixíssimo capacidade de consumo; juros altos são secundariamente eficazes para conter o consumo e primariamente eficazes para agravar o problema de desigualdade social, face ao efeito de desemprego que causam. Juros altos criam impedância que freia a economia causando desemprego, mas também queda na arrecadação colocando o governo na armadilha de aumento do déficit   público, que o leva a efetivar cortes no orçamento público que realimentarão o encolhimento da economia e recrudescimento de crise social.”(4)

(vii) “Não permitir que os bancos continuem cobrando juros escorchantes em cartões de crédito, provocando a inadimplência dos mais pobres, destruindo sua capacidade de consumo, contribuindo para o recrudescimento da miséria. Este travamento de consumo de uma parte expressiva do mercado consumidor não é um bom negócio para ninguém. Saem perdendo, claro, os próprios consumidores de baixa renda, mas, também, comerciantes, organizações do setor produtivo, o setor público em termos de arrecadação e da deterioração da situação social e, consequentemente, também o setor financeiro que deixa de fazer o que poderia de negócios de intermediação e crédito financeiros. Juros excessivamente altos e indiscriminados de cartões de crédito e de cheque especial também inibem os limites de consumo daqueles que têm poder aquisitivo e se autorreprimem por terem percepção e entendimento que é um mau negócio parcelar os débitos de crédito face aos juros desproporcionais. De novo, os perdedores são comerciantes, setor produtivo, setor público e, consequentemente, também o setor financeiro.”(5)

Estas medidas só atingirão os resultados desejados se forem aplicadas de forma concomitante. Destaque-se que, para  a medida de emissão de moeda não causar pressão inflacionária no curto prazo, é necessário que haja estoques reguladores suficientes de bens de consumo; e para essa medida estancar o aumento da dívida pública e especulação com o câmbio é necessário que as emissões o sejam apenas para as situações indicadas, havendo, com certeza, necessidade de continuar controlando os gastos públicos quando se tratar de despesas correntes orçamentárias.

São certamente medidas que não desrespeitam direitos individuais e tampouco restringem a liberdade de mercado e o empreendedorismo. No entanto, são certamente para efetivar condições de sobrevivência, bem-estar e progresso da população. Certamente demandarão o enfrentamento e controle de indivíduos e grupos poderosos, principalmente do mercado financeiro, que acumularam e acumulam muito poder econômico e de manipulação da opinião pública, à custa de muito prejuízo e deterioração das condições de desigualdade socioeconômica.

Atrevimento presunçoso, ingenuamente esperançoso? Pode ser, mas com realismo e validade bem fundamentados (conforme links a seguir) para tirar nossa gente da miséria e violência de tanta desigualdade socioeconômica!!!

(1) Capacitação Educacional Para Valer Ou Crise Socioeconômica Crônica – Atair Rios Neto

(2) Moeda Lastreada por Adição de Valor e Divisas – Atair Rios Neto

(3) Tempos de Resposta: Atividades Econômicas Versus Especulação Financeira – Atair Rios Neto

(4) Juros Altos: Inflação e Recessão – Atair Rios Neto

(5) Juros Altos: Cartões de Crédito e Cheque Especial – Atair Rios Neto

3 comentários em “Brasil: Medidas para Libertação da Escravidão da Desigualdade Socioeconômica Crônica

  1. Atair, o item i) é o mais importante no longo prazo. Educação é libertadora!

    Interferir no mercado, entretanto, é algo com que não posso concordar. Assim como emissão de moeda.

    Grande parte dos nossos problemas tem como causa-raiz a corrupção. É isto que precisa ser combatido. Emitir moeda é levar mais dinheiro para o bolso errado. Interferir no mercado é criar mais oportunidades para o dinheiro de novo ir para o bolso errado.

    Talvez em um ambiente menos corrompido eu pudesse concordar com todos os itens …

    E a PEC do estado de emergência é uma vergonha nacional, assim como o orçamento secreto. Nada justifica essas duas ações, pois são provas de que a sociedade está corroída. Sim, a sociedade: enquanto o Senado pode ser dito como representativo das elites, a Câmara representa bem todas as classes.

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  2. Não me sinto em condições de dar pitacos em análises econômicas, mas acho que uma sociedade mais justa está baseada em educação. Ação social deveria ser crianças nas escolas desde a idade que suas mães têm que sair para trabalhar, escola com alimentação de verdade, material (o mesmo utilizado pelas boas escolas particulares, escolas de período integral com atividades físicas….Não sei, me parece mais simples do que parece, é realmente só depende da elite, pois nossos políticos são em sua maioria pessoas ignorantes, sem condição alguma de fazer a diferença!

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