As redes sociais propiciaram o fenômeno de cada um ser seu próprio colunista social. De repente aconteceu de se ter a globalização do colunismo social, futilizado e banalizado pela exposição dos acontecimentos corriqueiros da vida pessoal, com exibicionismo autopromocional de um irrealista viver em eterno “mar de rosas”.
As colunas sociais costumavam ser predominantemente para exibicionismo das elites sociais e artistas, principalmente em jornais, revistas e televisão. No interiorzão, os jornais de circulação local eram o veículo onde principalmente as senhoras e senhoritas das elites socioeconômicas ostentavam vida de luxo e riqueza em disputas de superioridade de status social; eram também o veículo de busca de aceitação social, disputado para conseguir visibilidade e exibir sucesso profissional e econômico.
Dantes como agora, a busca de aceitação, aprovação e admiração; a busca de reconhecimento e valorização pelos outros.
Dantes como agora, não é saudável se impressionar, levar a sério e perder tempo com colunas sociais.
Antes, não havia como se perder muito tempo, pois bastava o tempo de leituras nos jornais e revistas e de assistir a programas no rádio ou televisão. Os prováveis efeitos doentios de frustação para o ego dos colunáveis se restringia a uma minoria. Agora, as pessoas passam horas e horas curtindo e acompanhando umas às outras, envolvendo a maioria da população em situação de frustação e de maior vulnerabilidade a doenças do ego.
Não dá para se auto enganar com glamourização irrealista da vida cotidiana. Gera-se um processo de exposição exagerada da vida pessoal com insustentável expectativa de conseguir reconhecimento e valorização para atendimento da necessidade de autoestima. A inevitável frustação de expectativas cria terreno fértil para crises de ansiedade e de depressão.
Feita a devida exceção das redes para uso jornalístico, educacional, interação profissional, científica ou artística, coloca-se em dúvida se as redes usadas para auto colunismo social são realmente necessárias. Afinal as necessidades de comunicação pessoal podem ser atendidas por mensagens de celular e e-mail.
Por observação, pode-se afirmar que a bicharada humana, em decorrência de atitudes e comportamentos de realização materialista e consumista, induzidos por suas elites econômicas e políticas, não tem aproveitado satisfatoriamente novas tecnologias para o bem comum de melhorar condições de sobrevivência e bem-estar de forma sistêmica. Vamos acreditar que se é assim que é, então é assim que tem que ser. Sejamos estoicos, vamos ter fé na ordem natural que rege a nossa evolução cognitiva e psicológica. Ter fé que a evolução corrija desvios danosos e leve a utilização mais sadia do potencial de uso das redes sociais. Vamos dar tempo ao tempo!!!