O que não é determinado pelo nosso livre arbítrio o é pelo destino? Parece que sim.
O nosso livre arbítrio tem suas limitações. Não decidimos as características instintivas e psicológicas de nossa natureza humana. Tampouco decidimos nossas condições genéticas, assim como as de educação, ambiente social, político, econômico e cultural em que somos criados. Só haveria arbítrio se houvesse suficiente condição de percepção, entendimento, vontade, poder e desvinculação de enquadramentos e limitações impostas pelas instâncias das coreografias de vida em que estamos inseridos, na família, na Sociedade e na ordem de funcionamento da Natureza!
Ora, então essas limitações de livre arbítrio e portanto de decisões e escolhas de nossa vontade implicam que parte correspondente de nossa vida é destino.
É nosso destino não ter poder de vontade, percepção, entendimento e decisão, enfim, não ter livre arbítrio suficiente para decidir completamente os acertos de nossas decisões e os rumos de nossas vidas. Bastariam as limitações de nossa inevitável cretinice ignorante; pois afinal “ quem não sabe ou não percebe, não sabe ou não percebe o que, por que e como fazer para lidar com o que não sabe ou não percebe, ora bolas”.
E sendo assim, dá para condenar Maria Madalena ou Judas? Quem tiver livre arbítrio que o faça!
E assim sendo, dá para escapar da ordem sistêmica da vida e ter livre arbítrio para escapar do destino imposto pelas crises causadas pela ordem geopolítica disputas de território por poder econômico e político? Dá para escapar do destino imposto pelas crises de desigualdade socioeconômica, crime organizado, abusos da especulação financeira e uso disseminado de drogas?
E o pior e que nem dá para condenar os que conquistaram poder e são responsáveis por tal ordem de coisas, pois afinal eles não sabem o que fazem. Eles não têm livre arbítrio! Eles certamente não têm livre arbítrio para lidar com verdadeiros interesses, para lidar com a orquestração da ordem sistêmica da vida!
“Se é assim que é, então é assim que tem que ser”, é da coreografia da vida, na ordem natural das coisas e seres da Natureza. É nosso destino estarmos inseridos nesta situação atual da dinâmica da coreografia de vida deste nosso Mundo. No entanto, há vivências atuais que propiciam condições de se perceber e exercer livre-arbítrio e infinitesimalmente se contribuir para a efetivação do interesse verdadeiro de atitudes e comportamentos egossistêmicos; afinal já está no domínio de nosso livre arbítrio perceber e entender que:
(i) Não há que se fazer aos outros o que não se desejaria que nos fizessem (condição ética equivalente, no cristianismo, judaísmo, hinduísmo, taoísmo, budismo, confucionismo e islã);
(ii) Há que se ter a atitude de compreender com compaixão os processos anormais de outros indivíduos, por saber que com a imparcialidade que tudo acontece na Natureza poderíamos ser nós no lugar deles;
(iii) Há que se respeitar a condição orgânica dos sistemas de vida e cuidar do bem comum para bem cuidar de nós mesmos, pois o bem individual só se realiza com ação sinérgica para a construção e saúde do bem sistêmico.¹
Enquanto vamos vivendo nosso destino de não poder escapar do inevitável andamento dos processos da ordem das coisas e seres da Natureza, só nos resta usar nosso livre arbítrio para nos colocarmos em estado de contemplação, como se a vida fosse um metaverso e tirar oportunidades de aprendizado!!!
¹https://atairriosneto.com/2022/07/21/e-com-nosso-ego-que-temos-que-sobreviver-mas-necessariamente-com-egossistemicismo/
Tendo ser simples (sem ser simplista): livre arbítrio tem a ver com decisão, ou seja, com as situações da vida nas quais temos que decidir desta ou daquela maneira (embora nem sempre seja assim…podem aparecer diversas opções ao mesmo tempo); já o destino, bem, este tem a ver com metafísica, porém para aqueles que creem em um Poder sobrenatural (meu caso), pertence a Deus.
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