“Tudo que se pode imaginar pode acontecer, pode fazer parte da realidade.”
Pode-se imaginar que “o mundo seja formado de infinitas instâncias, concatenadas e eternizadas como as cenas de um filme. A realidade que se vive seria o vivenciar de trajetórias de instâncias.”¹
É fato que “as trajetórias de instâncias vivenciadas por indivíduos, em famílias, comunidades e nações, são o resultado de processos biológicos, psicológicos, de criação e educação, assim como de condições econômicas, políticas, sociais e culturais. As trajetórias individuais são sempre em função das trajetórias do coletivo em que se está inserido. As instâncias que se poderá vir a vivenciar serão gradativamente o efeito e condicionadas por crenças predominantes de como as coisas funcionam, pois as crenças vinculam atitudes e comportamentos, que por sua vez vinculam escolhas e ações, que por sua vez causam, na medida do possível, mudanças nas trajetórias de instâncias e experiências de vida.”²
“O indivíduo vive segundo um padrão-adaptativo-evolutivo, sua evolução cognitiva e psicológica pode levá-lo a percepções e entendimentos que acabam por dar racionalidade ao seu viver, levando-o a considerar e cuidar da vida em esquemas coletivos como de seu verdadeiro interesse.
Nesse constatado padrão de vida, a constituição cognitivo psicológica incorpora características adquiridas nos processos de criação, educação e inserção cultural, resultando um indivíduo biológico, cognitivo e psicológico único”.³

Ken Wilber representa a evolução humana na realidade integrada de quatro quadrantes, abrangendo o Eu mental e o material, assim como o Nós cultural e o material:
(i) Eu mental: Eu e a consciência.
(ii) Eu material: Cérebro e o organismo.
(iii) Nós cultural: Cultura e visão de mundo.
(iv) Nós material: Sistemas de vida,
sistemas socioeconômicos e ambiente.
E assim, nas vivências e aprendizados destas realidades integradas, se desenvolvem percepções e entendimentos que levam à evolução cognitiva e psicológica.
Entende-se, pois, que o livre arbítrio seja a sina ou a benção de a criatura humana “vivenciar e ter a liberdade de, por ela mesma, aprender, recompondo percepções e entendimentos, que provocam evolução cognitiva e psicológica, o que leva à reorganização do viver, de modo a readaptar e inovar ações, atitudes e comportamentos.”
Pela diversidade de situações e oportunidades de condições genéticas, de criação e educação, assim como de condições econômicas, políticas, sociais e culturais, não seria justo, e tampouco viável para todos, completar o processo de evolução em uma única vida biológica. Há que se imaginar a possibilidade de se continuar vivenciando as infinitas instâncias do mundo de Deus. E já que por uma questão lógica não há como não imaginar que o mundo de Deus está pronto e acabado eternamente, isto é, em um presente eterno, então o vivenciar trajetórias de instâncias não pode depender do tempo; o vivenciar de trajetórias de instâncias é que cria a sensação de passado, presente e futuro, propiciando a ilusão da existência do tempo. A todos há de ser dada a oportunidade de evolução na eternidade do presente, através de várias vidas biológicas!
E, finalmente, imagina-se que o sentido de tudo seja a evolução humana, na realidade integrada dos quatro quadrantes, que leve a uma condição geral e permanente de trajetórias de instâncias de vida material mais leve, cada vez mais espiritual, plenas de paz, harmonia, bem-estar e alegria.
²Ainda que Ficção, Imaginando a Realidade – Atair Rios Neto
³Condição Adaptativa e Evolutiva do Indivíduo – Atair Rios Neto
Ken Wilber, A Visão Integral, Cultrix, 2008.
Esse livro do Wilber é uma delícia; assim como outras obras dele, a Espiritualidade Integral. Grande abraço.
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