Hora de Salvar a “Organização País” da Ação Nefasta do “Toma Lá dá Cá”

Por que um país com o potencial do Brasil continua capengando em crise crônica de desigualdade social, miséria e violência?

Estamos cansados de saber o resultado do que nos coloca nesta situação: desemprego, serviços públicos e saneamento básico deploráveis, falta de segurança, perda de parcela significativa da juventude para o crime organizado, e por aí vai! Mas e as causas, as realmente relevantes? 

Certamente não estamos sabendo organizar e administrar a vida coletiva para resultados de sobrevivência, segurança e bem-estar. A vida coletiva se realiza através de organizações, que transformam recursos da sociedade em produtos e serviços para a sociedade; então é melhor darmos uma olhada nelas e ver o que está acontecendo. É de nosso interesse também ver o que é preciso fazer para resolver, porque estamos todos no rol das vítimas dessa situação crônica de capenguice!

É meio “óbvio ululante” que toda organização, pública ou privada, com ou sem fins lucrativos, tem que acrescentar valor aos recursos que consome. Para viabilizar sobrevivência, os resultados, isto é, o que sai, na forma de produtos e serviços, tem que valer mais do que o entra, ou os recursos consumidos. Após cobertura de custos operacionais deve haver saldo positivo, para remunerações, amortização de dívidas, investimentos e desenvolvimento. 

A analogia de um país com uma mega organização, compreendendo junção de setores público e privado, é útil para propiciar a identificação de situações e condições cruciais para sua saúde socioeconômica com desenvolvimento.

Os fatores de agregação de valor são em essência os mesmos, qualquer que seja a organização. 

A agregação de valor aos produtos ou serviços, com eficácia inovadora, é condição necessária para que uma organização sobreviva com competitividade. 

Sabe-se muito bem como se perde essa condição necessária. É sempre por equipes desatualizadas, despreparadas e/ou gestores corruptos, despreparados ou presos ao passado em termos de conhecimentos e práticas. Em decorrência há o descontrole de atualização de instalações e equipamentos, assim como de tecnologias e métodos de trabalho, e, por fim, desatualização em relação a recursos materiais e informacionais. E não é por acaso que o começo é sempre pelo fator equipes e gestores, pois nas organizações “tudo acontece por vontade e ação das pessoas”. 

Gestores de organizações privadas podem ser vítimas de seus modelos mentais e/ou despreparo, mas não lhes falta poder para gerir eficácia inovadora de suas organizações. Já nas organizações públicas e empresas sob controle estatal há a condição de ingerência indevida dos políticos. A condição de sede de “poder político”, que move os dirigentes políticos, os leva a confundir os meios com os fins e a buscar sempre soluções de compromisso para manter ou ampliar suas posições de poder, de modo que acabam vivendo pelos meios, isto é, pelas posições de poder, ao invés dos objetivos pelos quais estas posições existem. O dirigente presidente do chamado poder executivo racionaliza a aplicação do “poder pelo poder” e, a título de conseguir e manter “condições de governabilidade”, pratica o “toma lá dá cá” e manipula politicamente os outros dois poderes, usando seu poder de nomeação de ocupantes de cargos públicos. Em consequência, desmoraliza-se e se destrói a capacidade da cadeia de poder funcional, criando habitat para a quebra da meritocracia,  predominância de oportunismos e falta de motivação, já que estas nomeações em geral ignoram, desmerecem e efetivamente afetam o poder de decisão e ação dos gestores e equipes de carreira, que têm a capacitação e deveriam ter o poder e a responsabilidade pelos resultados dos órgãos públicos. Os nomeados como dirigentes, por razões políticas, usam também seu poder para nomeação de assessores e contratações de terceiros que incham e tiram de equipes e gestores condições de atuação com agregação de valor. O efeito é devastador, já que os outros fatores de agregação de valor só se efetivam por vontade e ação de equipes e gestores. O efeito é o de se ter a situação em que os resultados valem menos do que se gastou em recursos para produzi-los, e pior, com perda de eficácia. Em decorrência está estabelecida condição em que custa cada vez mais caro tentar fazer a máquina pública funcionar, de modo que dívidas contraídas só crescem, tornando-se impagáveis, já que não há agregação de valor que crie condições para os superávits necessários para amortiza-las.

Para que o setor público da organização país propicie condições de agregação de valor necessária para sobrevivência com competitividade e superávits há que haver, necessariamente, restrições legais de regulamentação, que limite a nomeação de políticos para cargos do poder executivo. No caso de ministérios, deveriam se limitar aos cargos de ministros, preservando-se os cargos de secretário executivo, inclusive, e para baixo, para funcionários públicos de carreira concursados, de modo a evitar que a politicagem quebre condições de efetivar eficácia e eficiência. 

É inevitável concluir que a raiz do mal está na situação de políticos se aboletando no poder para agir em proveito próprio, esquecendo sua condição de representantes do povo. Em conclusão: há que se cortar o mal pela raiz para recuperar condições republicanas de governo, exigindo dos políticos que cuidem verdadeiramente de nossos interesses, acabando de uma vez por todas com o aparelhamento de organizações públicas com nomeação de apaniguados para instrumentaliza-las para poder político e estabelecimento de oligarquias. Este abusivo desvio de função provoca de imediato o nefasto efeito de quebra de eficiência e eficácia das organizações públicas. Provoca também a corrupção por tráfico de influência que cria reação em cadeia, que acaba por prejudicar o bom funcionamento de organizações privadas, por criar condições de quebra de concorrência, provocando elevação de custos e cultura da valorização de corrupção para obtenção de privilégios e subsídios. Como consequência o resultado é o de perda de eficiência e de eficácia inovadora, com destruição de competitividade e produtividade que afeta todo o país.

Por direito e interesse de legítima defesa, há que se dar fim a esta ordem de coisas tão nefasta e contribuidora para nossa lastimável situação socioeconômica de capenguice. Já passa da hora de exercer nosso poder de cidadãos e provocar uma virilização nas redes sociais para fazer os políticos saberem que estamos de olho e que exigimos com nosso poder de voto que nos representem republicanamente. Já basta, acabou, não se admite mais o “toma lá dá cá”! Políticos, representem-nos para soluções efetivadoras de condições para eficiência e eficácia inovadora da “organização país”, para garantia e melhoria de condições coletivas de sobrevivência, segurança e bem-estar para nós cidadãos! 

3 comentários em “Hora de Salvar a “Organização País” da Ação Nefasta do “Toma Lá dá Cá”

  1. Sinceramente já não sei se podemos fazer a diferença, cobrando nossos políticos, para que tenhamos resultados ainda para essa geração. A púnica saída que vejo é a educação que tire nosso povo dessa ignorância vergonhosa, e tritemente chego à conclusão de que, nós, a minoria culta e educada desse país somos os únicos capazes de começarmos querer a mudar a história para as futuras gerações, bem futuras. E como? Também não sei bem, mas talvez criando escolas com subsídio de entes privados, com professores voluntários que estejam comprometidos com a ética, a moral, onde só estudariam crianças carentes. Lá elas passariam o dia, recebendo condições de se tornar alguém. Se até o crime organizado consegue formar seus advogados e políticos que os representem, por que nos cidadãos de bem não conseguimos. Enfim, ando me questionando muito no sentido de fazer sem esperar dos outros, no caso os políticos, bando de ignorantes que beiram a burrice.

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  2. “A condição de sede de “poder político”, que move os dirigentes políticos, os leva a confundir os meios com os fins e a buscar sempre soluções de compromisso para manter ou ampliar suas posições de poder, de modo que acabam vivendo pelos meios, isto é, pelas posições de poder, ao invés dos objetivos pelos quais estas posições existem…”

    Raio-X sombrio de uma triste realidade !

    Obrigado, Professor !

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