Vamos parar com essa história de que os fins justificam os meios. Na verdade, são os meios que justificam os fins. Não se pode ter um resultado à custa de “mortos e feridos” e de “terra arrasada” pelo caminho; se esta for a única maneira de obter esse resultado, então ele não está justificado, pois certamente agride a ordem natural das coisas e seres! Os recursos, as maneiras de se chegar a um resultado têm que justificá-lo; têm que respeitar a saúde, os direitos, liberdade e dignidade das pessoas; têm que respeitar o meio ambiente. O objetivo de pessoas quererem viver com segurança e bem-estar pode e deve ser justificado por atitudes, comportamentos e ações que não prejudiquem, não desrespeitem seu corpo biológico e mental e “o corpo da Natureza”, assim como a paz e harmonia dos ambientes coletivos humanos locais e globais em que se vive.
As pessoas são seres especiais da Natureza. Por um lado, são animais de instintos, “rápidos no gatilho” para garantir condições materiais de sobrevivência, segurança e bem-estar. Por outro, são seres racionais, com capacidade de aprendizado para tomar decisões e lutar pelos seus interesses verdadeiros.
Os indivíduos humanos com seu saber e poder de ação usam meios de se valer do meio ambiente para resultados de alimentação, moradia, locomoção e comunicação; usam também meios através de seus corpos e mentes para prazeres e emoções. As consequências provocadas pelo uso de tais meios podem levar um tempo para se manifestar e já não estarem mais sob o controle da vontade e ação dos indivíduos que as provocaram, indo afetar seus descendentes, assim como os ambientes em que irão viver. Não há escapatória, sempre que os meios são danosos as consequências também serão danosas.
Os passageiros da “espaçonave Terra” no começo eram poucos e porcos por ignorância. O estrago e sujeirada que faziam com os meios que utilizavam para tocar suas vidas eram também poucos e locais; poluíam e faziam apodrecer apenas sua vizinhança e por aí ficava. Mas os passageiros se reproduziram e se reproduziram, sem que, em correspondência, entendessem e percebessem que o dano que os meios utilizados para moradia, alimentação, locomoção, divertimento e prazer estavam e estão transformando em lixo seus ambientes de vida na espaçonave. Tempo de tentar consertar o estrago já feito, antes que seja tarde demais!
Todos têm o direito de querer e viver bem; só não se pode querer isto cometendo o crime de desrespeitar a “lei e ordem” da Natureza. Indivíduos humanos têm que ser racionais e praticar o bem de usar de meios que não os tornem criminosos ecológicos, porque de seu interesse, já que ao desrespeitar a ordem natural das coisas e seres, usando meios desrespeitosos, está comprando complicações indesejáveis.
Hoje em dia, quem vive e viverá já percebeu que a acumulada superpopulação de indivíduos humanos, em sua ação por resultados de alimentação, energia e moradia, acabou por levar à situação de os meios predatórios atingirem escala e magnitude suficientes para perturbar em termos globais a saúde da Natureza. Há uma corrida contra o tempo de conscientização e busca de meios com sustentabilidade e de estancamento dos desequilíbrios ecológicos em curso; uma corrida para se conseguir meios que justifiquem o objetivo de sobrevivência com segurança e bem-estar; meios de se compartilhar de recursos da Natureza sem causar desequilíbrios ecológicos.
Os meios de ter bens de consumo e mobilidade têm que poder justificar o objetivo de bem-estar de ser. Há conhecimentos e tecnologias para se tentar salvar “nossa casa Terra”; os meios usados para gerar energia, embalagens do que consumimos e para descarte ou tratamento de nossos dejetos já podem e têm que atender ao requisito de sustentabilidade.
Bom artigo do Prof. Atair Rios Neto.
O tema é atual, polêmico e muito importante para o nosso futuro .
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