Condição Adaptativa e Evolutiva do Indivíduo

Não há escapatória, é pelo mar da ordem natural de como as coisas e seres são e funcionam na Natureza que o indivíduo humano tem que navegar a vida, para possíveis condições de sobrevivência, segurança e bem-estar. No contexto e segundo esta ordem, não se estigmatiza o indivíduo como bom ou mau, sendo naturais suas ações, atitudes e comportamentos decorrentes do ser biológico, cognitivo e psicológico que ele é. Assim, entenda-se como natural a tendência do indivíduo biológico, por instinto, compulsivamente cuidar da própria sobrevivência e segurança. Mas, também como natural a sobreposta tendência de o indivíduo cognitivo e psicológico agir conforme suas percepções e entendimentos.

            Pela constatação de que o indivíduo vive segundo um padrão-adaptativo-evolutivo, conclui-se que sua evolução cognitiva e psicológica pode levá-lo a percepções e entendimentos que acabam por dar racionalidade ao seu egoísmo, levando-o a considerar e cuidar da vida em esquemas coletivos como de seu verdadeiro interesse.

            Nesse constatado padrão de vida, a constituição cognitivo psicológica incorpora características adquiridas nos processos de criação, educação e inserção cultural, resultando um indivíduo biológico, cognitivo e psicológico único que organiza seu viver e desenvolve sua vida segundo dois ciclos. Um de curto prazo, de operacionalização do viver, em que com suas ações, atitudes e comportamentos vai vivendo o dia a dia, se auto observando, se auto avaliando e ajustando, segundo o que sabe e percebe, isto é, segundo sua condição conjuntural de ser cognitivo psicológico. Vive também um ciclo de médio prazo, de adaptações e evolução, resultado da inescapável interação com o meio ambiente, em que adquire novas vivências e aprendizados, recompondo percepções e entendimentos, que provocam sua evolução cognitiva e psicológica, o que o leva à reorganização de seu viver, de modo a readaptar e inovar suas ações, atitudes e comportamentos, e assim por diante.

É, pois, nesse contexto de vinculação a uma ordem natural, segundo o ainda e sempre parcial conhecimento que dela se tem, e de constatação da condição dinâmica, adaptativa e evolutiva do indivíduo humano, que se justifica uma filosofia existencial a partir das premissas de que: (i) o referencial do sábio e justo para o indivíduo criatura é o da realidade da ordem natural das coisas e seres na Natureza; (ii) os indivíduos humanos são seres de vida interdependente, biológica e psicologicamente; e (iii) a boa ordem de um sistema coletivo depende de todos e de cada um com ação sinérgica. Uma filosofia existencial que naturalmente leva à constatação da necessidade de: (a) os meios terem que justificar os fins, pois fins que demandam meios que agridem a ordem natural não estão justificados; (b) compaixão, por sermos todos feitos do mesmo barro; (c) amor racional, como comportamento de relacionamento para o bom funcionamento dos necessários esquemas coletivos de vida; (d) fé na possibilidade de sobrevivência, segurança e bem-estar para que haja disposição e ânimo para lidar com as coisas e seres como determinados pela ordem natural; e (e) viver a vida que nos é dada na cadeia do espaço-tempo, pois é “o passarinho que temos nas mãos”.

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