Saia o Capitalismo Entre o Producionismo

O Capitalismo não está dando certo e do jeito que está provoca mais crises do que soluções. O mundo está dominado por crises socioeconômicas, culturais e de comportamento. É um sistema que cristalizou  distorções nada saudáveis: confundindo os meios com os fins, através do predomínio de ações  financeiras; valorização do individualismo; pregação do imediatismo e da possibilidade de realização humana através de bens apenas  materiais. A constatação de dois de seus efeitos danosos é suficiente para diagnosticar um “sistema doente terminal”: abusos especulativos e rentistas, em prejuízo dos que adicionam valor e produzem; e crescente e predominante situação de desigualdade socioeconômica.

            Está na hora de sair o Capitalismo e entrar o Producionismo. Um também Sistema de Mercado, em que “o objetivo de lucro do  empresário seja justificado pelo necessário meio de produzir bens e serviços eficazes e inovadores, que adicionem valor”! Um novo sistema econômico que  não seja o do “animal econômico”, mas sim o do indivíduo que se guie por uma filosofia existencial de “cuidar do bem coletivo para bem cuidar de si mesmo”. Um novo sistema em  que se entenda que “se não houver meios saudáveis os fins não se justificam”, pois não se pode justificar objetivos que sejam obtidos por meios danosos às pessoas ou ao meio ambiente. Um sistema que efetive o senso de pertencimento à humanidade, nacionalidade, comunidade e família, enfim a todos os ambientes coletivos em que se vive e dos quais cada um e todos têm que cuidar.

            O sistema Producionista é o das Organizações, entidades em que pessoas combinam conhecimentos, vontades e sensibilidades para transformar, com adição de valor, recursos da Sociedade em resultados que  sejam eficazes para atender objetivos comuns. O sistema Producionista se constitui, pois, a partir de sua unidade celular, a Organização, que, quer seja ela pública ou privada, com ou sem fins lucrativos,  é sempre um negócio com a Sociedade.

O Producionismo é pelas pessoas e para as pessoas. Crucial para sua efetivação é a Organização Família. Com sua missão de prover efetivação de ambiente-suporte para a realização de sexualidade, bem-estar emocional, desenvolvimento, busca de autorrealização e ação cidadã, na união de complementação de duas pessoas, garante ambiente de criação e preparação de descendentes cidadãos. Garante também o berço para a paz e harmonia na Sociedade, ao cultivar os valores de: solidariedade, lealdade, compaixão, companheirismo, tolerância e desprendimento.

As pessoas colocam sua vontade e ação na direção dos interesses sabidos e ou percebidos”. Como tudo acontece por vontade e ação das  pessoas,  o desafio de evolução para o Producionismo é o das pessoas entenderem ser de seu interesse que assim seja. Para que este rompimento e evolução aconteçam, é preciso que elas entendam que é o melhor para sua sobrevivência, segurança e bem-estar. Que é o melhor para realizar sua natureza e possibilidades humanas de ser. As pessoas têm que saber que a ação predatória do Capitalismo as condena a uma condição de aumento da desigualdade social, miséria e violência. As pessoas dos países desenvolvidos e as em melhor situação socioeconômica precisam saber que não há como deixar de pagar a conta do danos do Capitalismo. A deterioração socioeconômica afeta a todos. Destaquem-se: a crescente e já predominante situação de desigualdade, comprometendo condições de sobrevivência humanizada e chance de ascensão social dos mais pobres; fluxos migratórios descontrolados, de países em crise para os países desenvolvidos; crescimento do crime organizado, tráfico e consumo de drogas, atingindo e afetando tragicamente o tecido social, aumentando violência e perda de vidas de jovens nas comunidades menos favorecidas, e, de modo geral,  provocando destroçamento de famílias e da saúde mental e comportamental de jovens; e a crise das democracias, com surgimento e proliferação de ascensão ao poder de lideranças populistas.

O Producionismo terá chance de vingar e se estabelecer se os valores que o norteiam forem incorporados pelas pessoas. No entanto, no curto prazo, pelo menos, três medidas econômicas precisam ser tomadas para conter ações predatórias do Capitalismo: (i) limites para as taxas de juros da economia de modo a não inviabilizar investimentos privados e evitar a situação de ser melhor emprestar dinheiro do que empreender e produzir; (ii) estabelecer regulamentação da especulação financeira, de modo a estabelecer um timing para a ação dos especuladores, para não se violentar os tempos de resposta das organizações; e (iii) não permitir que os bancos dos países menos desenvolvidos  continuem cobrando juros escorchantes em cartões de crédito, provocando a inadimplência dos mais pobres, destruindo sua capacidade de consumo, contribuindo para o desemprego e recrudescimento da miséria. Do jeito que as coisas andam, é bem possível que pela ação de  uma minoria favorecida socioeconomicamente se resolva a crise de aquecimento global, sem se resolver também a crise que afeta a  bicharada humana. A crise que pode levar a um predomínio avassalador de miseráveis e ignorantes que engolfarão e diluirão as minorias instruídas e favorecidas socioeconomicamente!!! O resultado será a destruição do atual nível de civilização humana e a volta da barbárie. Um tipo de apocalipse que, com “o andar da carruagem”, se torna cada vez mais viável!!!

3 comentários em “Saia o Capitalismo Entre o Producionismo

  1. Ñ ficou claro o que é o protecionismo. Talvez ajude exemplificar com um caso específico, pelo menos. No parágrafo final há possível engano de digitação ‘o bicharada humano’. Logo lhe envio por email um escrito meu mais recente sobre problemas similares. Bom dia, compadre.

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  2. O termo producionismo não combina bem com o que se quer transmitir. Vale procurar outro melhor. Valorizar ‘meios’ de produção mais saudáveis para tudo, com sustentabilidade, está tudo bem, mas o termo afugentará leitores; como está, lembra fordismo, produção a qualquer custo… Há que incluir trabalhadores valorizados etc. Em blague que gosto: inclusão social dos empresários. Abs

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