Apocalipse Construído: Revolta Violenta dos Miseráveis

“Pensar, aprender e perceber, as três maravilhas do viver humano”! Há que se exercê-las com humildade e atrevimento e, consequentemente, agir, posicionar-se e expressar opiniões.

O Haiti já é aqui há um bom tempo. Pode piorar e muito, se a situação socioeconômica degringolar em consequência das medidas sanitárias de quarentena indiscriminada para conter o Coronavirus! Estas medidas estão subestimando as proporções das consequências socioeconômicas! As condições de desigualdade social e a crise econômica do país já nos colocam muito próximos de uma convulsão social. A deterioração já é impressionante e assustadora, com níveis que já comprometem as oportunidades de vida não só da maioria pobre e sem condições de ascensão social, mas também da minoria com boas condições de renda; no nosso Haiti a violência urbana já ceifa, por ano, da ordem de cinquenta mil vidas de jovens das comunidades pobres!

Já não há reforma tributária ou administrativa que resolva a crise socioeconômica, com o quadro existente de: (i) desemprego alarmante; (ii) falta de oportunidade de boa educação e saúde para a maioria da população; (iii) miséria, violência e falta de segurança pública crônicas; e (iv) crescimento do crime organizado, com tráfico e consumo de drogas destruindo o tecido social. Tirando a retrógada elite brasileira, que contabiliza nos custos despesas com segurança privada e quer conseguir competitividade a custa de subvenções e benesses governamentais, poucos são os empresários sérios que queiram investir nesse país e submeter seus familiares a condições de tanta falta de segurança e violência! É essa condição de miséria socioeconômica que, na verdade, está impedindo o crescimento do país.

“Nem oito, nem oitenta”. As medidas de quarentena são necessárias, mas em termos, e não podem ser extremas a ponto de paralisar a Economia, gerando crise de desabastecimento e desemprego fora de controle, com consequente e incontrolável convulsão social! É preciso liberar a população dos mais jovens (que não se enquadrem em grupos de risco, claro) para o trabalho, para garantir a produção, o comercio, e os transportes, de modo a evitar desabastecimento e desordem social. As medidas podem e devem ser de quarentena seletiva e preventiva.

Há que haver um estratégia para vencer esta guerra. A paralisia da quarentena irrestrita será a derrota de todos e certamente não atenderá a prioridade de preservar vidas. Os jovens sadios, que se sabe serem pouco vulneráveis, terão que ir para o “campo de batalha” e, munidos de medidas preventivas de higiene, enfrentar o inimigo pandêmico, impedindo a paralisação econômica. Enquanto isso, mantenha-se a quarentena dos mais velhos e dos grupos vulneráveis, com o especial cuidado de amparar economicamente os com renda insuficiente para sobrevivência digna. Procedam-se também a quarentenas coletivas seletivas em locais onde haja surtos de contaminação social. Construam-se preventivamente hospitais de campanha para evitar o colapso das condições de atendimento. Reduza-se a circulação e concentração de pessoas em ambientes comerciais E, também, persistentemente, se apliquem medidas sanitárias de desinfecção de meios de transporte e ambientes de circulação de pessoas.

Não dá para “tampar o sol com a peneira”. A maioria esmagadora da população do país não tem condições socioeconômicas e habitacionais para respeitar, e não está respeitando, as atuais condições de quarentena; a luta do dia a dia por condições mínimas de sobrevivência já condiciona para o povão a quebra do isolamento social, pela busca do pão nosso de cada dia. Mesmo o suporte econômico de subsistência, que deve e está sendo dado pelo governo, será insuficiente se houver situação de desabastecimento. Sem querer “ensinar o pai nosso ao vigário”, são essas as percepções, entendimentos e avaliações que, com humildade e honestidade intelectual, me atrevo a expressar, clamando por providências que nos livrem de um apocalipse construído!

5 comentários em “Apocalipse Construído: Revolta Violenta dos Miseráveis

  1. Concordo com o ótimo texto. O problema é que o Brasil sempre foi o país da colocação da tranca após a porta arrombada. E o nosso atual governo, além de comprar extintores após o início do incêndio, ainda proclama que o fogo não é tão forte assim. Para piorar, briga com os outros poderes e com a imprensa. Assim não dá. Tem que haver bom senso e conciliação. A continuar esse bate cabeça, o caos virá. E olha que eu nunca fui pessimista. Trata-se de se analisarem as notícias, raciocinar e se tirarem conclusões realistas. O advento ou não do caos irá depender das atitudes dos governantes e dos cidadãos (cidadãos ou só pessoas que não têm ou não sabem o que é cidadania?). E ainda tem a incógnita que é a capacidade de resistência do próprio vírus. Por isso, precisamos contar com a velocidade das comunidades científica e farmacêutica para debelar a doença.

    Curtir

  2. Suas palavras são muito sensatas, eu as li e compreendi. Mas o que será que há por trás desses desencontros, dessas vaidades pessoais e politicas. Como um povo com pouco ou nada de instrução recebe o que a mídia apresenta?
    Medo, pavor ou podemos afirmar que a ignorância é uma benção.
    Parabéns pelo texto.

    Curtir

  3. Concordo com a sua visão do problema, muito bem fundamentada nos seus comentários. Estamos no limiar da desesperança. Se ultrapassarmos essa linha, tudo estará perdido

    Curtir

  4. Oi Pai, acabo de ler seu texto, gostei muito, fiz algumas alterações no começo do texto porque acho que começou com uma escrita muito coloquial, vc tem que escrever mais livre, sem muita formalidade, senão acaba não atingindo o público jovem.,

    Acho o texto ótimo, mas vc. nos deu um ensinamento que carrego comigo e que acabou por me fazer ver que as vezes não se dá murro em ponta de faca, o que quero dizer é que: “quem não sabe ou não percebe, não sabe ou não percebe”, e acho que não adianta querermos fazê-os percebê-los. Vc sabe que sou uma pessoa totalmente capitalista, que valorizo muito o resultado do meu trabalho e tenho prazer em usar o resultado dele com bens de consumo, mas por outro lado tenho plena consciência que este caos é resultado de nosso egoísmo que nunca nos preocupamos com o sistema de saúde público, afinal temos bons planos de saúde. Não acho que a sociedade é capaz de perceber que o emburrecimento da população, a falta de estrutura mínima a todos afeta a todos, e apesar da COVID esfregar isso na nossa cara, ainda tem muita gente em cima de seu salto, achando que o fato de ter ao seu alcance Einstein e Sírio as preservarão de uma morte súbita…..Enfim, teríamos tudo para nos deprimir, mas já que não consigo mudar a sociedade, tenho tentado, através do exemplo tocas as pessoas a minha volta, e dar a Isabella uma educação de valores éticos e humanos fortes….. Acho que seus tetos são importantes, mas as pessoas que precisam dele não sabem e não percebem o valor dele, entende!!??

    Te amo!! Vou ler os outros textos e vou comentando

    “Pensar, aprender e perceber, três maravilhas da Humanidade”!

    Para exercer estas 3 maravilhas é preciso humildade e atrevimento, de modo a agir, posicionar-se e expressar opiniões.

    O Haiti já é aqui há um bom tempo! E a coisa pode piorar em consequência das medidas sanitárias de quarentena indiscriminadas para conter o Coronavirus! Estas medidas subestimam as proporções das consequências socioeconômicas! As condições de desigualdade social e a crise econômica do país já nos colocam muito próximos de uma convulsão social, “pandemia social”. A deterioração já era impressionante e assustadora, com níveis que já comprometem as oportunidades de vida não só da maioria pobre e sem condições de ascensão social, mas também da minoria com boas condições de renda; no nosso Haiti a violência urbana já ceifa, por ano, da ordem de cinquenta mil vidas de jovens das comunidades pobres!

    Não há reforma tributária ou administrativa que resolva a crise socioeconômica, com o quadro existente de: (i) desemprego alarmante; (ii) falta de oportunidade de boa educação e saúde para a maioria da população; (iii) miséria, violência e falta de segurança pública crônicas; e (iv) crescimento do crime organizado, com tráfico e consumo de drogas destruindo o tecido social. Tirando a retrógada elite brasileira, que contabiliza nos custos despesas com segurança privada e quer conseguir competitividade a custa de subvenções e benesses governamentais, poucos são os empresários sérios que queiram investir nesse país e submeter seus familiares a condições de tanta falta de segurança e violência! É essa condição de miséria socioeconômica que, na verdade, está impedindo o crescimento do país.

    “Nem oito, nem oitenta”. As medidas de quarentena são necessárias, mas em termos, e não podem ser extremas a ponto de paralisar a Economia, gerando crise de desabastecimento e desemprego fora de controle, com consequente e incontrolável convulsão social! É preciso liberar a população dos mais jovens (que não se enquadrem em grupos de risco, claro) para o trabalho, para garantir a produção, o comercio, e os transportes, de modo a evitar desabastecimento e desordem social. As medidas podem e devem ser de quarentena seletiva e preventiva.

    Há que haver um estratégia para vencer esta guerra. A paralisia da quarentena irrestrita será a derrota de todos e certamente não atenderá a prioridade de preservar vidas. Os jovens sadios, que se sabe serem pouco vulneráveis, terão que ir para o “campo de batalha” e, munidos de medidas preventivas de higiene, enfrentar o inimigo pandêmico, impedindo a paralisação econômica. Enquanto isso, mantenha-se a quarentena dos mais velhos e dos grupos vulneráveis, com o especial cuidado de amparar economicamente os com renda suficiente para sobrevivência digna. Procedam-se também a quarentenas coletivas seletivas em locais onde haja surtos de contaminação social. Construam-se preventivamente hospitais de campanha para evitar o colapso das condições de atendimento. Reduza-se a circulação e concentração de pessoas em ambientes comerciais E, também, persistentemente, se apliquem medidas sanitárias de desinfecção de meios de transporte e ambientes de circulação de pessoas.

    Não dá para “tampar o sol com a peneira”. A maioria esmagadora da população do país não tem condições socioeconômicas e habitacionais para respeitar, e não está respeitando, as atuais condições de quarentena; a luta do dia a dia por condições mínimas de sobrevivência já condiciona para o povão a quebra do isolamento social, pela busca do pão nosso de cada dia. Mesmo o suporte econômico de subsistência, que deve e está sendo dado pelo governo, será insuficiente se houver situação de desabastecimento. Sem querer “ensinar o pai nosso ao vigário”, são essas as percepções, entendimentos e avaliações que, com humildade e honestidade intelectual, me atrevo a expressar, clamando por providências que nos livrem de um apocalipse construído!

    Curtir

Deixar mensagem para Andrea Cancelar resposta