No andar aqui debaixo, vivemos com nosso ego, sem escapatória; é com ele que temos que aprender a lidar com a vida, para conquistar condições de bem-estar. Ego que, a favor da segurança, nos pressiona com o instinto da sobrevivência, mas também nos brinda com a razão e a capacidade de percepção e conhecimento. Aos trancos e barrancos, vamos vivendo as consequências de nossas atitudes e comportamentos, quase sempre de forma dolorosa, face a nossa ignorância sobre a realidade de nosso mundo.
As tentativas e erros com atitudes e comportamentos egocêntricos de sobrevivência não têm dado certo. As “doenças” das crises climática, guerras, crime organizado e consumo de drogas escancaram a condição orgânica da vida em termos globalizados, tanto para o meio ambiente como para os indivíduos humanos. Não há como escapar da condição sistêmica da vida; não há como lidar com a vida a não ser de forma globalizada e integrada, para se ter sobrevivência individual com qualidade. As vivências atuais propiciam condições gritantes de se perceber e exercer livre-arbítrio consciente para o interesse verdadeiro de se saltar do egocentrismo para o egossistemicismo, para atitudes e comportamentos egossistêmicos.
Egossistemicismo? Como realizar? Quais seriam as atitudes, comportamentos e ações necessários?
O interessante é que a abordagem pela racionalidade para efetivação do egossistemicismo vai de encontro às tradições filosófico espirituais e às boas práticas de gestão. As atitudes, comportamentos e ações sustentadoras do egossistemicismo, não por acaso, são:
(i) Não fazer aos outros o que não se desejaria que nos fizessem (condição ética equivalente, no cristianismo, judaísmo, hinduísmo, taoísmo, budismo, confucionismo e islã);
(ii) Ter a atitude de compreender com compaixão os processos anormais de outros indivíduos, por saber que com a imparcialidade que tudo acontece na Natureza poderíamos ser nós no lugar deles;
(iii) Respeitar a condição orgânica dos sistemas de vida e cuidar do bem comum para bem cuidar de nós mesmos, pois o bem individual só se realiza com ação sinérgica para a construção e saúde do bem sistêmico.
Enfim, o egossistêmico é um egomundista, um ego consciente e amoroso, na sua condição de pertencimento orgânico ao Mundo. Um ego que aprendeu que afinal é necessário saber amar, é necessário ser egossistêmico!!!
Queridos. Permitam-me discordar do ‘mundo estático’ e propor o ‘mundo dinâmico-evolutivo’. Do mundo do egossistemicismo, com o qual nascemos, como entidades biológicas, e propor o ecossistemicismo que devemos aprender e desenvolver, com sabedoria, pedagogia e ativismo propositivo, com visão de futuro e esperança em melhorias
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Realmente, Atair, precisamos de um ego que vivencie valores humanos na prática.
Parabéns pelo texto 👏
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Como nos libertar de nossa personalidade e de nossas necessidades sociais decorrentes de nossas personalidades e educação, nunca conseguiremos estar no lugar do outro, nunca conseguiremos por isso, saber o que o outro realmente precisa, por exemplo, em uma reunião de condomínio onde a grande maioria de moradores são idosos, é um casal mais jovem com filhos quer fazer uma área com parquinho para crianças. O que esse casal deveria fazer, se colocar no lugar da maioria, mais velha, que não usará o parquinho? Ok, neste exemplo aparentemente não estamos quebrando a primeira regra do ecossistemicismo. Ma e a regra 2 e 3? E depois, o que seria “processos anormais” do item 2? O conceito de anormal depende o ego de cada um, não há uma regra padrão!!!!!
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