Causas de Inflação e Remédios Eficazes

Para começo de conversa, o artigo não se restringe a iniciados em Economia, é na verdade voltado para cidadãos que não aceitam  serem tratados como “inocentes úteis” e que não abrem mão de pensar e tentar entender como melhor lidar com seus interesses.

Retomando e retrabalhando abordagem anterior¹, vamos recorrer ao auxílio de diagrama de causa e efeito do tipo “espinha-de-peixe” para representar a formação de preços de produtos ou serviços.

Na composição de custos, os recursos de entrada (materiais, energia e informações) podem ter variações de custo fora de controle para quem produz (variações climáticas, mercado internacional (por exemplo petróleo), variação cambial e ou incorporação crônica de inflação passada). Este tipo de causa certamente produz o efeito de inflacionar preços e reprimir a procura. Se não houver medidas que neutralizem tais causas, além da inflação elas  provocarão também diminuição do crescimento da Economia do país. No caso de bens duráveis e serviços, os remédios eficazes no curto prazo são incentivos fiscais com diminuição temporária de tributações e linhas de créditos que propiciem diminuição do custo de capital de modo a se diminuir os custos de produção e comercialização; no longo prazo há que se apoiar a incorporação de novas tecnologias e inovações que permitam alternativas e ou o aumento da produtividade e competitividade. No caso de bens não duráveis  de consumo como alimentação que afetam duramente a condição de vida da população e de combate à miséria social, no curto prazo há que se recorrer a estoques reguladores e importações emergenciais e no longo prazo manter política de estoques reguladores e de estímulo ao aumento e barateamento da produção nacional. Aumentar juros da Economia (Selic) nestes casos será causa para aumento de custos na composição de custos; esse aumento será incorporado nos preços de produtos e serviços reprimindo o consumo e, além de prejudicar crescimento, piora o consumo de bens essenciais, aumentando condições de pobreza e miséria já bem graves no país. O aumento das taxas de juros inibe investimentos produtivos, desviando recursos para o rentismo; na verdade já que não há investimentos produtivos, os recursos que seriam investidos vão para títulos do governo, que os usa para amortizar dívida pública, voltando para o mercado que não tendo como aplica-los em produção os aplica em grande parte novamente em títulos públicos, fechando um círculo vicioso em que a dívida pública só aumenta e o governo perde a capacidade de investir e atender necessidades e crescimento do país.

Na aferição de lucro e estabelecimento de preços, o excesso de demanda, isto é, de procura, certamente é causa de inflação. Isto acontecerá por falta de oferta, o que se resolve, no curto prazo, por estoques reguladores e importações emergenciais no caso de alimentação e itens essenciais às condições de sobrevivência da população. No caso de itens duráveis, por medidas de promoção do  aumento da produção e concorrência com estímulo a investimento, controlando juros viáveis no curto e médio prazos. Aumento de juros só  recrudescerá a falta de oferta e a piora da situação, comprometendo condições de crescimento e melhoria de condições de vida da população.

Enfim, juros que extrapolam condições de viabilidade de investimentos produtivos só servem para criar rentismo que alimenta governos com déficits fora de controle, permitindo financiamento de aumento de dívida e pagamento de juros da dívida, o  que acaba tendo que ser feito com juros elevados para compensar a falta de confiança e avaliação  de risco alto. E, claro, tal situação prejudica a capacidade de investimento dos governos e da iniciativa privada.

Há que haver um jeito de quebrar esse círculo vicioso, que submete toda a Economia ao prejuízo de perda de crescimento e a condição de miséria crônica da população mais pobre. Um jeito certamente eficaz de enfrentar o descontrole de dívida pública é o Banco Central, emergencialmente, com emissão de moeda, resgatar junto ao Mercado boa parte da dívida, renegociando para valores razoáveis os juros cobrados do governo e dando um prazo de carência em que  não se poderá mais adquirir dívida junto ao Mercado, de modo a diminuí-la a valores que não prejudiquem a condição de investimento do governo em infraestrutura, saúde e educação. Esta medida certamente devolverá a condição de vantagem em se investir e estimulará investimentos da iniciativa privada, contendo  o rentismo destrutivo.

Que, face a esse arrazoado e propostas, os lobbies do Mercado Financeiro contra-ataquem ferozmente  é de se esperar; afinal todos querem defender o que consideram de seu interesse, principalmente na defesa de empregos extremamente bem remunerados para defender a atuação do Mercado especulativo, que hoje em dia é considerada legal e ética. No entanto, nós cidadãos duramente afetados não podemos abrir mão de pensar e tentar perceber e entender o que é verdadeiramente razoável e ético, de modo a poder também de modo razoável e ético lidar com a defesa de nossas  condições de vida!!!

Para final de conversa, que se perceba que as reflexões e propostas não têm nada de ideológicas e que, ainda que pressuponham necessárias regulamentações,  em nada comprometem ou prejudicam as condições de livre mercado e livre competição.

¹ Rios Neto, A.: Produtividade e Competitividade ou Inflação, do livro NOVO COLONIALISMO ECONÔMICO: Exploração de Países Vulneráveis. Clube de Autores, 2019.

2 comentários em “Causas de Inflação e Remédios Eficazes

  1. Atair, quero cumprimentá-lo por sua avaliação precisa e completa do momento que vivemos. Você foi muito claro e didático, ampliando substancialmente meu conhecimento sobre o assunto. Aguardo novas mensagens que, certamente, aumentarão meus conhecimentos.

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