A Inteligência Não é Artificial, é Humana!!!

Pois é, o que se convencionou chamar Inteligência Artificial são de fato entes computacionais em que se inseriu uma programação de algoritmos que lhes permite processar dados, informações produzindo análises, avaliações, conclusões, projetos, comandos de controle, diagnósticos e ou prognósticos. O que na verdade é artificial são as interfaces para aquisição de dados e instruções e o processamento digital que é feito segundo a inteligência colocada por agentes humanos nos algoritmos programados! Há já um bom tempo que estes entes computacionais estão entre nós, na indústria, na engenharia, na medicina e nos serviços; eles substituem nós humanos em atividades que podem ser programadas usando conhecimento já existente e para execução rotineira (por exemplo, a título de ilustração¹).

É importante ressaltar que esses entes da chamada Inteligência Artificial usam informações e conhecimentos já existentes; eles operacionalizam usos e aplicações utilizando o que já se sabe e apenas o que já se sabe. Tampouco eles são capazes de alterar a ordem natural das coisas e seres da Natureza, a ordem de como as coisas funcionam neste nosso Mundo. O que os distingue é sua capacidade de processamento de dados e informações e a velocidade e precisão com que são capazes de fazê-lo. Eles não substituem o ser psicológico humano nas suas capacidades de desenvolver novos conhecimentos, sensibilidade, criatividade, sensação e intuição. Enfim, só se houver agentes humanos para reprogramar seus algoritmos é que eles são capazes de incorporar a criação humana e novas dinâmicas sociais e naturais identificadas.

Face aos efeitos colaterais danosos que as redes sociais têm causado nos comportamentos de relacionamento humano e face aos efeitos também danosos das chamadas Fake News, há agora um grande receio e preocupação com os estragos à vida humana que novos aplicativos do tipo ChatGPT podem causar. Em especial a preocupação com o efeito danoso de crenças e comportamentos humanos que podem ser induzidos por narrativas manipuladas por agentes de poder e por agentes formadores de opinião, que vierem a utilizar esses aplicativos como uma nova arma de manipulação e controle social. Essa preocupação é tão grande que já há movimentos para impedir o uso desses aplicativos por um tempo, enquanto não se conseguem desenvolver controles para conter seus possíveis efeitos danosos.

A preocupação é válida, mas é preciso perceber que o desafio é o de aprender a lidar com a velocidade com que agora se produzem narrativas; aprender a reagir também rapidamente, de modo a desmascarar e neutralizar narrativas destrutivas, que afrontam os interesses da vida humana. As narrativas manipuladoras têm existido desde sempre, principalmente em religião, política e economia; veja-se, por exemplo, as do Marketing atual que induzem ao comportamento consumista e de busca de realização material imediatista.

 Enfim, esses novos recursos da chamada Inteligência Artificial não são do mal, o seu uso é que pode ser. Uma coisa é certa, eles haverão de substituir os humanos em atividades que podem ser programadas para realização rotineira. Eles nunca haverão de substituir humanos em atividades criativas, de pesquisa e naquelas que demandem sensibilidade e afetividade; por exemplo, eles nunca haverão de tirar a vantagem feminina de sensibilidade e intuição.

E em sendo assim, o que nos afronta é o desafio de evoluir nossos sistemas político, econômico e social para equacionar soluções de orquestração da ordem sistêmica da vida humana!!!

¹ Souza Filho, D.; Rios Neto, A.: “Test of a Local Processing Neural Network Training Kalman Filtering Algorithm on a Breast Cancer Diagnosis Benchmark Problem”. Anais em CD ROM do XII Congresso Brasileiro de Automática. SBA. Uberlândia, MG, setembro 1998 (código 235/98).

6 comentários em “A Inteligência Não é Artificial, é Humana!!!

  1. Parabens quando cita desinformação com o título bonito de Fake News e o desastre que têm causado aos nossos “ermanoRealmente tudo isso tem aparecido como uma Seita onde seus seguidores chegam a cometer um suicídio coletivo em nome de uma divindade criada ao seu Bel prazer.

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  2. Excelente texto mestre.
    Os algoritmos de “IA” podem ser uma arma de manipulação se forem treinados com uma base polarizada, com viés. Uma excelente visão disto é o documentário “Code Bias”, para quem tem o Netflix. Segue aqui cópia de um resumo:
    O documentário baseia-se na vida pessoal e profissional de Joy Buolamwini, pesquisadora ganense-americana do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Seu reconhecimento veio através da comprovação que os sistemas de IA não são precisos, principalmente na identificação de mulheres negras. Um assunto forte, com um propósito muito bem definido e, principalmente, necessário.
    Mas nem tudo está perdido, como mostra o documentário, existem muitos profissionais sérios da área preocupados com a ética de uso de “IA”.

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