Racionalidade Necessária na Humanização da Vida

I

Se as pessoas para viver dependem de organizações humanas como família, comunidade, nação e aldeia global, ou seja, de  entidades coletivas.

Se o ser humano é feito de pedacinhos e pedaços (células, micro-organismos, órgãos e sistemas) resultando um indivíduo animal inteligente, que é sadio quando em harmonia com a própria natureza e com a ordem natural das coisas e seres do meio ambiente.

Então há que se ter a racionalidade de cuidar da própria natureza, do meio ambiente e do bem coletivo, para realizar o bem individual.

II

Se não se pode justificar um resultado que para ser obtido necessite de um processo danoso à condição humana.

Se não se pode justificar um resultado que para ser obtido necessite de um processo danoso ao meio ambiente.

Então há de haver objetivos individuais de sobrevivência, segurança e bem-estar justificados por meios lícitos.

III

Se é fato que as pessoas têm que se encaixar em esquemas coletivos, com divisão de papéis e tarefas, com regras de convivência, articulação e combinação de esforços para efetivar ambientes, produtos e serviços para atender suas necessidades de vida.

Se é fato que as suas necessidades básicas vão além das de subsistência com segurança, incluindo também a de socialização com construção de relacionamentos interpessoais e a  de autoestima através da conquista de boa reputação, por papel de utilidade nos ambientes sociais.

Então o egoísmo sábio ou egossistemicismo de o indivíduo cuidar do bem comum para bem cuidar de si mesmo é necessário para se viabilizar habitats organizacionais eficazes para sobrevivência, segurança e bem-estar.

IV

Se a Natureza funciona sem privilégios, não faz diferenças, é imparcial e tudo acontece nela de modo que o que vale para um vale para todos, sem preconceitos ou preferências.

Se os indivíduos humanos, sem mérito ou demérito, cada um e todos, são o resultado de seus processos biológicos, psicológicos e de seus processos de criação, de educação, assim como de condições econômicas, políticas, sociais e culturais vividas.

Então, face à inexistência de parcialidade e privilégios, a compaixão é necessária, como comportamento racional de convivência, já que o que acontece com alguém poderia acontecer com qualquer um.

V

Se há que se acatar a ordem natural como referencial do sábio e justo.

Se há que se viver a inevitável ordem do mundo material.

Então há que se ter fé racional, acreditando na possibilidade de se realizar sobrevivência, com segurança e bem-estar na ordem existente das coisas.

VI

Se os papéis se somam e se complementam na coreografia da vida em sociedade, de modo que só assim é possível viabilizar habitat de vida para cada um e todos.

 Se esquemas de vida saudável dependem de interatividade pautada pela moral e pela ética, que demandam uns cuidando dos outros com fraternidade, solidariedade, generosidade, honestidade, compaixão e justiça, porque que assim seja é do interesse de cada um e de todos.

Então o amor como comportamento é necessário para cuidar do bem do coletivo para cuidar do bem individual.

VII

Se a inescapável sina da criatura humana é ter que viver nos limites do mundo material a que está confinada.

Se pode perceber, entender e agir segundo lhe permitem seus sentidos, mente, corpo e as extensões propiciadas pela tecnologia, porém sempre nos limites do mundo material.

Então os sentidos, instintos e capacidade cognitiva dos indivíduos humanos haverão de ser suficientes para lidar com suas condições de vida no habitat espaço tempo a que estão restritos.

Em síntese, os pilares da racionalidade do existir, conforme a Filosofia do Egossistemicismo¹. E se essa racionalidade é necessária para lidar com a  vida, então não há de ser utópica ou ingênua!

¹ A. Rios Neto, Filosofia do Egossistemicismo, Clube de Autores, 2023.

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