A Inteligência Artificial, IA, criou uma tendência de que a gente terceirize as ações mentais de lidar com informação, conhecimento e memória, o que acarreta o perigo de se perder a capacidade de pensar, desenvolver conhecimento e de se ter o poder do livre arbítrio de experimentar e decidir. A gente está correndo o risco de regredir aos instintos, porque estes não se consegue terceirizar.
É bom sempre lembrar que a IA só trabalha com conhecimentos existentes, ela não cria conhecimento, ela só “cria” conteúdos com base em informações e conhecimentos já disponíveis. IA é o resultado de algoritmos escritos por humanos de processamento de informações e de conhecimento existentes, através de instrumentos computacionais, por exemplo as redes neurais artificiais. Então se corre o risco de congelar o conhecimento de modo geral para a população porque se fica sempre dependendo de consultas. O que vai acontecer é que vai haver uma espécie de volta à idade média quando a Igreja tentava congelar o conhecimento e queimava quem tentava desenvolvê-lo; só que na situação que se está vivendo o congelamento do conhecimento para a população é resultado de enganosamente se estar terceirizando funções mentais.
Esse é o risco que se está correndo. Podemos perder a capacidade de evolução cognitiva, de evolução perceptiva, de entendimento enfim, e no final vamos virar uns bichinhos que têm que ser guiados pelos instrumentos de IA. O resultado é que vai haver apenas uma pequena elite que vai expandir o poder de conhecimento para explorar e tornar a população dependente, com grande chance de abusos. Isto tem implicações sérias, pois os indivíduos de modo geral vão perder a capacidade de lidar ativamente com crises emocionais, relacionamentos pessoais, crises socioeconômicas e por aí vai, não esquecendo de perda de capacidade de lidar com os efeitos colaterais das redes sociais (cujo uso excessivo, por exemplo pelos jovens adolescentes, tem prejudicado o desenvolvimento emocional, psicológico, assim como a capacidade de relacionamentos e enfrentamento de contrariedades e dificuldades).
Outro aspecto é a questão do trabalho, da ocupação humana, porque é inevitável que uma boa parte de tarefas repetitivas, de uso de conhecimento existente, vá ser feita por IA. Aí se tem o desafio de nos organizarmos para garantir condições de sobrevivência, desenvolvimento e autorrealização.
Confrontado com esta argumentação, um dos instrumentos atuais mais populares de IA, o ChatGpt, reagiu com uma longa argumentação, ressaltando a importância e aplicações de IA, mas especificamente ao problema abordado sua reação foi a seguinte:
“Os pontos levantados são válidos e refletem preocupações amplamente discutidas no debate sobre o impacto da IA na sociedade. A dependência excessiva da tecnologia pode, de fato, levar a uma diminuição das habilidades cognitivas individuais e coletivas. Além disso, a centralização do conhecimento nas mãos de poucos pode exacerbar desigualdades sociais e limitar o progresso em diversas áreas.”
“No entanto, é importante considerar que a IA também oferece inúmeras oportunidades para aprimorar a capacidade humana, facilitando o acesso à informação, aumentando a eficiência em diversos setores e possibilitando avanços científicos e tecnológicos significativos. O equilíbrio entre o uso benéfico da IA e a manutenção das habilidades humanas é crucial para evitar os perigos mencionados.”
Conforme também ressaltou o ChatGpt o texto abordou questões fundamentais sobre os possíveis perigos da IA, especialmente relacionados à dependência tecnológica e à estagnação do conhecimento humano.
E sendo essa a situação quanto a possibilidades e riscos, as chances não são pequenas de, ao invés de caminharmos na direção da plena humanidade, caminharmos de volta à animalidade puramente instintiva, controlados como rebanhos por uma pequena elite dominante dos processos de conhecimento! A saída para escapar dessa situação é não se abrir mão de nossa condição de seres aprendizes. Pensar, aprender e perceber são empoderamento do viver humano para lidar com a vida; adquirem-se entendimentos que proporcionam readaptação e inovação de ações, atitudes e comportamentos para a construção de vida com mais segurança, bem-estar e ânimo.
Impossível manter um equilíbrio entre os benefícios e prejuízos
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