Sustentabilidade Orgânica da Sociedade

Há constatações relevantes, na verdade cruciais, para se lidar com a sustentabilidade da Vida. Sustentabilidade de que todos necessitamos e, portanto, haveremos de querer.

Nada é pelo Acaso, há uma ordem natural vigente. A Natureza é complexa demais, para que se possa considerar como razoável, na verdade probabilisticamente possível, que seja obra de projeto do Acaso. Não parece que seja pelo Acaso também que há a racionalidade de causa-efeito e ação-e-reação, nem tampouco a prerrogativa de livre-arbítrio e de pensar, perceber e aprender da criatura humana, para lidar com a vida e o que considera de interesse verdadeiro.

Nesse Mundo que não é obra do Acaso, tudo existe e funciona na forma de pedaços e partes   interdependentemente coordenadas, formando sistemas. E assim sendo, qualquer desarranjo em partes dos sistemas afeta todas as demais partes. E assim sendo, é também para o sistema humanidade; os desarranjos e crises econômico sociais e ambientais atingem e comprometem a sustentabilidade da vida de cada um e todos.

Nesse contexto de constatações da ordem natural das coisas e seres, não há como fugir da constatação que as organizações humanas devem existir para a sustentabilidade da vida, pela organicidade da vida; não porque é bonito que assim seja, mas porque é necessário. Sem ilusões, não há livre mercado com livre iniciativa que remunere e dê condição de poder econômico e poder de comando às elites empreendedoras e empresariais se não houver clientela, se não houver trabalhadores assalariados com renda para consumir e movimentar a Economia. Para evitar mil palavras, que as imagens imponham seu poder de comunicação:

Não pelo Acaso, mas em consequência da ação da Criatura Humana, há um tsunami chegando, que é tão grande que ameaça a organicidade sistêmica e, portanto, a sustentabilidade de vida humana saudável. É a revolução tecnológica da Inteligência Artificial (IA); as possibilidades de eliminação de empregos e substituição de atividades humanas é assustadora.

Mas, sem se querer correr o perigo de ser enquadrado como terrorista intelectual, é preciso constatar que além do desafio de enfrentar risco de crise de sustentabilidade orgânica da vida que a  IA traz,  há já que se enfrentar  outras crises bem presentes geradas pelo livre-arbítrio ignorante das elites que comandam este Mundo. Essas crises já estão a  bagunçar a organicidade sistêmica da vida e ameaçando a sustentabilidade da vida humana planetária. Cada um e todos, como não poderia ser diferente face à natureza sistêmica do Mundo, estão dolorosamente afetados por essas angustiantes crises:

(i) Excesso de poder do capital financeiro e abusos especulativos, sugando vampirescamente recursos dos países não desenvolvidos para os desenvolvidos;

(ii) Crescente e já predominante situação de desigualdade socioeconômica, acompanhada de precariedade de serviços públicos, como saúde, educação e segurança, comprometendo condições de sobrevivência humanizada e chance de ascensão social dos mais pobres.

(iii) Consumo de drogas e crescimento descontrolado do crime organizado, acompanhado de violência e perda de vidas de jovens, nas comunidades menos favorecidas socioeconomicamente; assim como destroçamento de famílias e da saúde mental e comportamental de jovens, de um modo geral;

(iv) Fluxos migratórios descontrolados, de países em situação de miséria ou de descontrole político, para os países desenvolvidos;

(v) Individualismo, consumismo e imediatismo dos mais favorecidos socioeconomicamente, com prejuízo da constituição e estabilidade de famílias e opção por  pets no lugar de filhos;

(vi) Crise das democracias representativas em atender às necessidades das maiorias de baixa renda, com surgimento e proliferação de ascensão ao poder de lideranças populistas; e

(vii) Ativismo  exacerbado e hostilizante de grupos na sociedade, por razão de gênero, orientação sexual, cor ou posição política, com surgimento de polarizações, radicalizações e quebra da possibilidade de convívio harmônico.

Não será pelo Acaso que se haverá de recuperar em tempo os rumos da sustentabilidade orgânica da Sociedade, mas sim com a compulsão humana por sobrevivência, fazendo valer a  característica de pensar, perceber e aprender para realizar verdadeiros interesses. As Elites que comandam este Mundo precisam aprender em tempo que  é de seu verdadeiro interesse assumir atitudes, comportamentos e ações que cuidem da sustentabilidade da  bicharada humana, de que ela faz parte inseparável!! Chega de se querer levar vantagem egoísta, chegar de querer ser esperto; como diz o ditado popular “quem acha  que é esperto, está fazendo papel de bobo há muito tempo.”

O Acaso não contrariará a condição da ordem natural de que: se não se cuidar do bem-comum não há como cuidar bem de si mesmo!!! Este é um papel da Criatura humana, usando seu livre-arbítrio com atitudes e ações de fraternidade, solidariedade e ética; um papel de todos, mas crucialmente das Elites com poder econômico, público e científico.

2 comentários em “Sustentabilidade Orgânica da Sociedade

  1. Atair, excelente análise.

    Gostei muito da analogia com uma estrutura sistêmica.

    Penso que seria também importante mencionar a crise de valores que aflige a sociedade contemporânea.

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  2. Muito bom, Atair. Em outras palavras eu diria, mudar a perspectiva de um sistema político, social, econômico para recuperar a dignidade humana que o mesmo sistema político, social e econômico arrancou no passado e tenta, ainda, sobreviver no presente a qualquer custo.

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