Se nossa capacidade de observar, pensar e aprender constata que tudo tem causa;
Se as relações são sempre de causa e efeito;
Se tudo que se diz ocorrer por acaso também tem causa, apesar da aleatoriedade com que se consegue observar sua ocorrência;
Se efeitos não explicam e não desvendam as suas causas e as causas de suas causas;
Se efeito nenhum pode ser causa de si mesmo;
Se tampouco a Natureza pode ser causa de si mesma;
Se, também, tampouco seres humanos podem ser causa de si mesmos;
Se a condição de não se conseguir observar e entender as causas primeiras da Natureza, de sua ordem de funcionamento e de seus entes não significa a ausência dessas suas causas primeiras;
Se efeitos, resultados inteligentes têm que ter causas inteligentes;
Se a probabilidade de ocorrência de um sistema complexo inteligente é zero na ausência de um projeto global e integrado do sistema;
Então, há que haver uma causa primeira, uma Causa Causadora, uma Causa Causadora da existência integrada dos efeitos, resultados que constituem o Universo.
Então é negacionismo lógico e científico negar esta Causa Causadora Integradora;
Então, esta Causa Causadora Integradora é necessariamente Entidade Criadora Causadora;
Então esta Entidade Criadora Causadora, de existência constatada lógica e cientificamente, é também Deus, de existência percebida e reverenciada pelos que têm a graça da Fé.
Então aos entes inteligentes do universo só resta aprender a viver em conformidade com a ordem estabelecida para as coisas e seres por esta Entidade Criadora Causadora.
E sendo assim que é e que tem que ser, não há como não associar nosso carinho, respeito e admiração pelos nossos amigos ateus com uma boa dose de indignação. Carinho porque são amigos queridos; respeito porque são, via de regra, pessoas de elevado grau de instrução, inclusive e principalmente intelectuais e cientistas; indignação porque, na verdade, são negacionistas que agridem a lógica e a ciência, apesar de todo seu conhecimento. Realmente uma atitude e comportamento a serem entendidos. Por que negam o que não se pode negar?
Caro Professor Atair,
Como diriam os franceses, superb!
O texto é excelente e com raciocinio muito bem encadeado.
Eu tenho alguns comentários a respeito do que já li e investiguei a respeito, pois o assunto sobre a existência e, digamos, personalidade de Deus é interessantíssimo.
Sua linha de raciocínio é precisamente a de Aristóteles, na qual ele questiona a cadeia de causa e efeito e conclui que necessariamente há de haver um primeiro motor que é imóvel. Ou seja, que não se move mas causa movimento. Este é o conceito de Deus de Aristóteles.
Curiosamente, São Tomás de Aquino usa este mesmo argumento para justificar a existência de Deus.
Dito isso, a segunda parte, ou seja, qual a personalidade de Deus, é uma outra questão que está fora deste raciocínio lógico. Obviamente os medievais se empenharam nesta empreitada.
Ainda na parte da dedução lógica, Descartes, depois do cogito ergo sum, faz uso dela para concluir que Deus existe, mas também conclui que ele é benevolente.
São ótimas leituras!
Me desculpe o enciclopedismo, mas quando li seu texto essas ligações foram me surgindo.
Não sei se já teve a oportunidade de ler sobre estes temas, caso contrário, posso afirmar que sua capacidade filosofica esta afinadissima.
Forte abraço
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