Novas tecnologias novas possibilidades, novos paradigmas. Novas tecnologias, novas formas de abordagem de solução de problemas, por pura exploração racional de possibilidades, independentemente de colorações ideológicas.
A proposta colocada é a de manter, de forma justa, atualizado o valor da moeda quanto a suas funções de meio de troca, reserva de valor e unidade de valor, face à inflação. Ela é fortemente influenciada pela ideia da URV do Plano Real, explorando-se as novas possibilidades da tecnologias digital e de comunicação.
Entende-se que a moeda não tem realidade física. O que tem realidade física são os bens e serviços. A moeda é apenas um meio de crédito para adquirir bens e serviços, cujo poder de aquisição varia dinamicamente, conforme o mercado “precifica” tais bens e serviços. A proposta procura explorar este aspecto dinâmico da moeda e corrigir praticamente em tempo real, atualizando seu valor de crédito para manter seu valor de compra, corrigindo seu valor “inflacionando” seu valor de compra, para neutralizar o efeito da inflação, para proteger e restituir seu valor de compra a quem de direito, aqueles que a possuem.
É premissa básica que não se interfira nas condições de livre mercado. Cada agente econômico tem liberdade de precificar seus bens e ou serviços.
É também premissa básica que o direito e valor de propriedade têm que ser respeitados. O Mercado, com sua liberdade de precificação pode e afeta o valor de propriedade e, portanto, o valor e poder de aquisição da moeda. Entende-se como justo proteger os detentores de moeda do efeito usurpador de valor causado pela inflação. Deve-se, portanto, tentar neutralizar a ação inflacionária do Mercado, quando ele tenta aumentar sua apropriação de moeda, sem que o seja por adição de valor, por aumento da produção ou da produtividade. Pela mesma razão de justiça, deve-se respeitar o valor de aquisição da moeda quando o Mercado aumenta a oferta e deflaciona preços; pois assim há crescimento e melhoria das condições de consumo da população.
A condição para realização da proposta é que haja um sistema de aferição da inflação eficiente e eficaz, com frequência de atualização alta, tentativamente pelo menos semanal.
A proposta deve ser eficaz para neutralizar os efeitos da inflação de expectativas. Pode até funcionar para a inflação por falta de oferta por um tempo, mas não tem o efeito de mudar a causa deste tipo de inflação: a falta de oferta.
A proposta é a de que:
(i) Seja abolida a moeda papel ou metálica como ente de representação de crédito. Só haja moeda na forma de créditos em contas correntes e investimentos em moeda, isto é, moeda digital, utilizada através de transferências bancárias e ou cartões de crédito.
(ii) O Banco Central assume o papel de autoridade de aferição e publicação de índices de inflação e o Agente que corrige o valor de créditos e débitos bancários para manter seu valor de compra, atualizando o valor de compra, para neutralizar o efeito da inflação.
(iii) O Banco Central assume, pois, o papel de emissão de créditos, atuando diretamente através da rede bancária, para manter atualizado o valor de compra, conforme a frequência de atualização do índice de inflação aferido e proporcionalmente, conforme a data de emissões de crédito e ou de operações financeiras envolvendo os créditos monetários.
Em tempo, no caso de salários parece razoável que cada setor corrija os salários mensalmente segundo valor de crédito em correspondência com a inflação do setor, limitado ao limite do índice de inflação ao consumidor e o Banco Central emita crédito adicional, se for o caso, para completar o valor de crédito para cobrir inflação ao consumidor. No caso de salários públicos, os governos corrigem o valor de crédito mensalmente conforme aumento de arrecadação, limitado ao valor do índice de inflação ao consumidor e o Banco Central emite crédito adicional, se for o caso, para completar o valor de crédito para cobrir inflação ao consumidor. No caso de empréstimos, as parcelas de débito são ajustadas pela inflação do setor em que se deu o crédito limitado ao valor do índice de inflação ao consumidor e o Banco Central emite crédito adicional, se for o caso, para completar o valor de crédito para cobrir inflação ao consumidor. No caso de investimentos em moeda no sistema financeiro, o Banco Central emite crédito, para corrigir inflação ao consumidor.
Esta condição dinâmica de atualização para todos de valor de compra da “moeda digital”, não elimina o interesse dos detentores de bens e serviços inflacionarem preços. Espera-se que a reposição da inflação para os agentes de crédito diminua a pressão para prática de juros elevados nos empréstimos, de modo a estimular o financiamento do aumento de produção ao invés de inflacionamento de preços. No entanto, entende-se que há que se ter permanentemente políticas de estoques reguladores e utilização de importações para conter tendências e abusos inflacionários. O que não se pode é recorrer a medidas que firam a economia de mercado, tirando a liberdade dos agentes econômicos precificarem bens e serviços.
Em tempo, a proposta não resolve os problemas socioeconômicos do descontrole fiscal, incluindo a consequente desvalorização da “moeda” nacional. Governos irresponsáveis continuarão a se endividar e ser causa da inflação de expectativas. Não há saída senão controlar gastos e não perder controle de contas públicas. A proposta só funcionará se se eliminar causas da inflação de expectativas, das quais a mais crucial é a de descontrole fiscal.
Note-se que a proposta é a de se corrigir o meio circulante face à inflação, como já faz o Banco Central, só que em tempo quase real e de modo justo, repondo, com corresponsabilidade dos setores que causaram inflação, o valor de crédito para aqueles que foram usurpados pela inflação do valor de crédito de que eram os proprietários; trata-se pois de uma proteção à propriedade daqueles que a detêm, especialmente os consumidores assalariados!
Enfim, a proposta, que certamente merece ajustes, tem o propósito de manter o valor da moeda e proteger o direito e valor de propriedade daqueles que a detém. Firma-se o entendimento que é atribuição do Banco Central, e portanto do poder público, fazê-lo corresponsabilizando os setores que causaram inflação.
Caro Atair Muito interessante! Parece que este é o caminho que o Sul Global esta tomando para fugir do swift. Abraços Alaide
CurtirCurtido por 1 pessoa