Haverá racionalidade suficiente no animal humano para dar fim às guerras recorrentes que trazem tanta destruição, sofrimento e desorganização da vida na espaçonave Terra?
Haverá percepção e entendimento para verdadeiros interesses e consequente predominância de atitudes, comportamentos e ações que permitam a construção de paz, harmonia e oportunidades de saúde, bem-estar e desenvolvimento humano para todos?
Se sim, a natureza do bicho humano haverá de viabilizar disciplina consciente para que os agentes de poder econômico, político, militar e religioso, assim como a população de modo geral obedeçam de forma sinérgica um regimento de ordem para sucesso da missão humana da espaçonave Terra.
Se sim, a racionalidade e os conhecimento que sustentam as condições a seguir haverão de garantir pragmatismo para legitimar “regimento interno” para a sustentabilidade humana.
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I
Para lidar com a sobrevivência, a luta maior é a de aprendiz, buscando incessantemente percepções e conhecimentos para perceber e saber sempre mais e melhor sobre a vida que como criatura se é dado viver.
Só há chance de se saber lidar com o que se sabe ou se percebe.
“O egoísmo de sobrevivência há que abranger a sustentabilidade da vida na espaçonave Terra.”
II
Seja por instinto, percepção ou avaliação de entendimento, cada um busca, a sua maneira, escolher e trilhar os caminhos que considera de interesse para realizar para si condições de sobrevivência, segurança, conforto e bem-estar.
O interesse base de sustentação para todos os interesses verdadeiros é o de vincular a vontade, em cada momento, ao entendimento de que se tem que ter paz e harmonia com a própria natureza, tendo paz e harmonia com e na Natureza.
“O interesse verdadeiro de cada um é o de paz, harmonia, sobrevivência saudável e desenvolvimento humano para todos.”
III
Em cada momento se tem que se inserir harmonicamente nas entidades orgânicas de que se faz parte (família, comunidade, nacionalidade, humanidade); os fins, isto é, os resultados com que se quer realizar a vida, têm que ser justificados por meios lícitos, que sejam moral, ética e ecologicamente sustentáveis. O mal são meios ilícitos, desarmônicos, não naturais, geradores de reação dolorosa, destrutiva, que sempre compromete condições saudáveis de vida.
“Não se vive pelos meios, mas sim pelos fins e são os meios que justificam os fins.”
IV
Na Natureza vale um “princípio da imparcialidade: processos iguais sujeitos a condições iguais (recursos e tratamento) produzem resultados iguais”. O princípio vale também, certamente, para as pessoas, que são o resultado de seus processos biológicos e psicológicos (DNA), assim como de seus processos de vida. Não há privilégios, não há parcialidades, tudo acontece segundo a ordem natural das coisas. Todos são filhos da mesma mãe Natureza e todos são também irmãos em essência, sujeitos a leis de funcionamento imparciais, sem preferências e privilégios.
A informação e conscientização dessa imparcialidade vinculam as pessoas a perceber e entender a necessidade da compaixão como uma questão de racionalidade, de convívio pacífico e tolerante. Compaixão como atitude que elimina o orgulho e leva à humildade de não menosprezar ou condenar o outro, mas sim de querer entender para encarar com naturalidade as atitudes e comportamentos alheios e lidar com as mesmas deficiências para se prevenir dos mesmos tropeços. Compaixão como atitude de encarar com naturalidade e tratar como se gostaria de ser tratado, se se estivesse na mesma situação, já que esta é uma possibilidade pelo princípio da imparcialidade. Compaixão sem que signifique aprovação de atitudes e comportamentos fora da normalidade e muito menos “identificação emocional ou intelectual”.
“Por um princípio de imparcialidade, há de se ter sempre compaixão.”
V
Na lógica de que cada efeito tem uma causa e é a causa que define o efeito, cada ente é o resultado de uma causa, e sendo assim, as condições de existência como entidade-criatura-efeito são as da causa que a causou, conceitualmente uma entidade-causadora, que foge da possibilidades de se identificar e, muito menos, qualificar.
À entidade-criatura cabe ter fé e viver com naturalidade, e considerar como sábias e justas as possibilidades de ter e ser, segundo a ordem natural da causa causadora.
“Ter fé na ordem natural como sábia e justa.”
VI
Como cada ente humano é parte de um todo sistêmico, o amor como comportamento é de interesse de cada um. Todos são entes do ente sistêmico família, que é ente do ente sistêmico comunidade, que é ente do ente sistêmico nacionalidade, que é ente do ente sistêmico humanidade, que é ente da entidade Gaia. Cada ente não tem condições, por si mesmo, de ter todas as funcionalidades; cada ente tem que ter comportamento de cuidar de outros entes como se tivesse cuidando de si mesmo.
“O amor é necessário como comportamento.”
VII
As extensões propiciadas pela ciência e a tecnologia não rompem os limites do corpo material do ente humano. A ciência humana desvenda como as coisas e os seres funcionam. A tecnologia estende a capacidade de observar, processar e compartilhar informações, assim como de lidar com os fenômenos da Natureza para realizar dispositivos e processos de novas ou melhoradas soluções de sobrevivência, segurança, conforto e bem-estar. Mas fica-se sempre nos limites de percepção, entendimento e ação no espaço, tempo da espaçonave Terra.
“A vida material que se tem para viver é na espaçonave Terra.”
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A esperança é de que haverá tempo e condições de viabilidade para se desvendar a esfinge-de-cada-dia que habita na criatura humana, de modo a se saber lidar com interesses verdadeiros e garantir pragmaticamente o reinado de paz, harmonia e bem-estar na espaçonave Terra. Por uma questão de fé na sabedoria e justiça da ordem natural, o animal humano com seus instintos, cognição e percepção não pode estar fadado a autodestruição apocalíptica.